Ciência e Saúde

Evolução divergente e evolução convergente: como a natureza encontra caminhos diferentes para resolver os mesmos problemas

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Porque é que espécies que parecem muito diferentes podem ser parentes próximas e espécies muito semelhantes podem não estar sequer relacionadas? A resposta está em dois processos fundamentais da biologia evolutiva: a evolução convergente e a evolução divergente.

Definição

A evolução é um processo contínuo que resulta da acumulação de alterações hereditárias nas populações ao longo de milhões de anos. Essas alterações surgem através da variabilidade genética e, quando conferem vantagens de sobrevivência e reprodução, tendem a ser favorecidas pela seleção natural. Neste contexto, destacam-se dois processos evolutivos: a evolução convergente e a evolução divergente.

A evolução convergente ocorre quando organismos pouco aparentados evoluem/desenvolvem, de forma independente, características semelhantes como resposta a pressões ambientais semelhantes. Estas características não foram herdadas do seu ancestral comum mais recente, tendo surgido separadamente em cada linhagem evolutiva.

Por outro lado, evolução divergente corresponde ao processo pelo qual organismos que descendem de um ancestral comum vão acumulando diferenças ao longo do tempo, adaptando-se a diferentes ambientes e modos de vida. Este processo contribui para o aumento da diversidade biológica e para a ocupação de diferentes nichos ecológicos.

Desconstrução dos termos

Na evolução convergente, organismos pertencentes a grupos distintos podem desenvolver soluções muito semelhantes para enfrentar desafios idênticos. No entanto, estas semelhanças não significam que sejam parentes próximos. Um exemplo clássico é o das asas das aves e dos insetos. Embora ambas permitam o voo, evoluíram de forma independente e têm origens muito diferentes: nas aves, as asas derivam dos membros anteriores dos vertebrados, enquanto nos insetos correspondem a expansões do exoesqueleto. Estas estruturas designam-se estruturas análogas, uma vez que desempenham funções semelhantes, mas possuem origens evolutivas distintas (Figura 1).

Figura 1 – Estruturas análogas desempenham funções semelhantes, mas têm origens diferentes. Fonte: https://www.todamateria.com.br/homologia-e-analogia-na-biologia-entenda-o-que-e-com-exemplos/

Outro exemplo surpreendente é o dos olhos dos polvos e dos vertebrados. Apesar de apresentarem uma organização muito semelhante, estes órgãos evoluíram independentemente, constituindo assim um dos exemplos mais conhecidos de evolução convergente.

Na evolução divergente verifica-se precisamente o contrário. Organismos que descendem de um ancestral comum desenvolvem características diferentes à medida que se adaptam a ambientes distintos. Um bom exemplo são os membros anteriores dos mamíferos. O braço humano, a pata dianteira de um cão e a barbatana de uma baleia desempenham funções muito diferentes – manipulação, locomoção terrestre e natação, respetivamente – mas conservam o mesmo plano estrutural básico herdado de um ancestral mamífero comum. Estas estruturas são designadas estruturas homólogas, visto que têm a mesma origem evolutiva, apesar de desempenharem funções diferentes (Figura 2).

 

Figura 2 – Estruturas homólogas têm a mesma origem, mas desempenham funções diferentes. Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Homologia_%28biologia%29#/media/Ficheiro:Homology_vertebrates-pt.svg

Embora a evolução convergente e a evolução divergente pareçam processos opostos, ambas demonstram como a seleção natural molda a diversidade da vida na Terra. Enquanto a evolução convergente conduz ao aparecimento independente de características semelhantes em organismos pouco aparentados, a evolução divergente promove a diferenciação entre organismos que partilham um ancestral comum. Em conjunto, estes processos ajudam-nos a compreender porque é que espécies muito diferentes podem parecer semelhantes e, inversamente, porque é que espécies aparentadas podem tornar-se tão distintas ao longo de milhares de anos de evolução.

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