Ciência e Saúde

Métodos de estudo: o que a ciência diz sobre eles

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Encontrar a melhor maneira de estudar é um desafio constante para muitos estudantes, e a escolha de métodos adequados pode fazer toda a diferença nos resultados académicos. Embora técnicas populares como o método Pomodoro sejam amplamente usadas, será que realmente funcionam?  

 

A forma como os estudantes organizam o estudo influencia diretamente a aprendizagem e a retenção da informação lecionada. Hermann Ebbinghaus foi um dos primeiros investigadores a estudar a memória, tendo a sua investigação demonstrado que a maior parte da informação que recebemos é esquecida rapidamente após a aprendizagem inicial. A introdução deste fenómeno,  denominado de curva doe esquecimento, levou a vários estudos onde o foco seria contrariar esse processo. Hoje em dia, sabe-se que algumas técnicas são claramente mais eficazes, enquanto outras são apenas ferramentas de organização.

Repetição espaçada

A repetição espaçada é um método que consiste em rever a informação ao longo do tempo, em intervalos progressivamente maiores,. em vez de estudar tudo num único momento. Uma revisão científica analisou centenas de experiências e concluiu que, efetivamente, esta estratégia melhora a retenção de informação. Este fenómeno é conhecido como efeito de espaçamento, e ajuda o cérebro a consolidar a informação na memória de longo prazo, reduzindo, deste modo, o esquecimento.

Recuperação ativa

A recuperação ativa é outro método que envolve recordar a informação sem consultar os materiais de estudo. Esta pode ser executada através do uso de flashcards, ou através da escrita de tudo o que a pessoa se lembra acerca de um tema.

Henry L. Roediger III e Jeffrey D. Karpicke, através das suas investigações, demonstraram que estudantes que têm por hábito a implementação deste método no seu estudo recordam muito mais informação após uma semana do que estudantes que apenas relêem a matéria. Este fenómeno é designado de efeito de teste (do inglês, testing effect).

Estudo intercalado (interleaving)

A intercalação (do inglês, interleaving), consiste em alternar diferentes tipos de temas ou matérias semelhantes durante o estudo. Por exemplo, a junção de juntar álgebra com geometria, ou a de exercícios de matemática com exercícios de física. Doug Rohrer comprovou que este método melhora não só a capacidade de aplicar conhecimentos em novas situações, como também aprimora o lado estratégico de cada estudante que o utiliza.

Métodos populares de estudo

Recentemente,  alguns métodos ganharam mais destaque entre os estudantes, dos quais o método Pomodoro. Criado no final da década de 1980, este método consiste na divisão das sessões de estudo em ciclos de 25 minutos de estudo, seguidos de 5 minutos de pausa, fazendo-se uma pausa mais longa após 100 minutos de estudo, ou seja, após 4 ciclos consecutivos. Apesar de conhecida pela maioria dos estudantes, esta técnica possui ainda uma investigação limitada sobre a sua eficácia. Estudos sobre atenção e produtividade mostram que pausas regulares podem melhorar o foco e reduzir o cansaço cognitivo. Assim, o Método Pomodoro é considerado uma boa estratégia de gestão de tempo, mas não substitui métodos de aprendizagem ativa.

Outro método que ganhou popularidade nas camadas mais jovens é a variação de contexto que engloba estudar em locais diferentes. Este fenómeno chama-se aprendizagem dependente do contexto, e comprova que a variação do contexto de aprendizagem pode ajudar o cérebro a criar mais pistas de memória, facilitando a recuperação da informação mais tarde.

Outra técnica muito utilizada é a explicação do conteúdo aprendido como se estivesse a ensinar outra pessoa. Esta estratégia está associada ao processo de autoexplicação, estudado na psicologia da aprendizagem, sendo uma forma de reorganizar o conhecimento e identificar as lacunas no mesmo, promovendo uma aprendizagem mais profunda.

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Como descobrir o melhor método de estudo adaptado a cada um de nós?

A investigação científica mostra que não existem “estilos de aprendizagem” que determinem qual método funciona melhor para cada pessoa. Em alternativa, recomenda-se combinar diferentes técnicas salientadas pela sua eficácia, tal como as referidas neste artigo, e adaptá-las ao tipo de conteúdo. Por exemplo, se o conteúdo lecionado exige uma maior memorização, o método da repetição espaçada pode ser uma boa escolha. Se as exigências se baseiam na resolução de problemas, porque não juntar matérias e/ou temas diferentes?

Uma abordagem eficaz envolve testar diferentes estratégias e observar quais produzem melhores resultados, sendo este um processo de tentativa e erro, até cada estudante descobrir com qual método se sente melhor.

Artigo redigido por Alexandra Santos. Revisto por Isabel Santos de Sousa e Joana Ribeiro da Silva.

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