Ciência e Saúde
Proteína Mitch: O que é, e de que forma pode revolucionar os métodos farmacológicos atuais para a perda de peso?
Numa sociedade, em que os consumidores exigem resultados quase imediatos, e onde ter um corpo perfeito parece ser uma obrigação, o uso de medicamentos para a obesidade tem aumentado. Cientistas descobrem uma proteína que poderá vir a transformar estas terapêuticas.
O que é a proteína Mitch?
A proteína Mitch é uma proteína responsável pela gestão da energia basal e do armazenamento de gordura.
Antes de compreender a grande descoberta científica que sustenta este artigo, é essencial perceber de que forma o corpo humano produz energia. A génese da energia acontece nas mitocôndrias, pequenos compartimentos que existem dentro de muitas das células humanas. Estes pequenos organelos trabalham segundo duas estruturas: todas coesas, formando uma grande rede mitocondrial interconectada (fusão mitocondrial) que facilita a produção de energia, proporcionando uma maior eficácia; Ou separadamente, em pequenas unidades individuais (fissão mitocondrial), menos eficientes. Ambas as estruturas são cruciais para adaptar as células às exigências energéticas do organismo, e para manter a homeostasia celular.
É precisamente neste âmbito que a proteína Mitch entra em ação. Quando ativada, esta promove a criação das referidas redes mitocondriais.
No entanto, os cientistas constataram que, aquando da sua desativação, as redes fragmentam-se. Apesar deste efeito levar à diminuição da eficiência na produção de energia, resulta também num aumento do consumo de gorduras, hidratos de carbono e proteínas. Adicionalmente, descobriu-se também que o bloqueio da ação desta proteína impede a formação de células adiposas, e, por conseguinte, a acumulação de gordura.
Por estes motivos, a desativação da proteína Mitch constitui um possível tratamento para a obesidade.
Quais as vantagens deste método?
Os atuais métodos farmacológicos para a perda de peso acarretam inúmeros riscos, tais como efeitos cardiovasculares, distúrbios gastrointestinais, perda de massa muscular, entre outros.
Em contrapartida, do pouco que ainda se conhece acerca da proteína Mitch, sabe-se que esta pode ajudar a enfrentar um dos desafios mais persistentes associados às terapias modernas de perda de peso: preservar a massa muscular saudável e, simultaneamente, promover a redução de excesso de gordura corporal.
Entre 25% a 39% do peso perdido com o uso de certos medicamentos usados para combater a obesidade corresponde a massa magra. Créditos: PublicDomainPictures
Quais os riscos deste tratamento?
O tratamento da obesidade através da desativação da proteína Mitch ainda está em desenvolvimento, não se encontrando disponível no mercado. Apesar dos potenciais benefícios, ainda existem algumas dúvidas quanto aos efeitos secundários do seu uso.
Alguns riscos salientados pelos cientistas consistem no desconhecimento de certos aspetos relativos a esta proteína, incluindo algumas interações moleculares e mecanismos de transporte. Estas informações são altamente relevantes para entender as consequências da desativação da proteína, já que podem comprometer o equilíbrio do organismo, bem como impactar negativamente outros tecidos.
Outros estudos alertaram para o facto de alterações no gene que ativa a função da proteína Mitch, o MTCH2, terem sido associadas à expressão de várias doenças, incluindo a obesidade, o cancro e o Alzheimer.
Que outras doenças podem beneficiar da desativação da proteína Mitch?
Apesar desta descoberta revelar um contributo importante no controlo da obesidade, existem outras doenças que poderão beneficiar igualmente da desativação da proteína Mitch.
Exemplos disso são as doenças metabólicas, como a diabetes tipo 2. Dado o aumento do consumo energético, nomeadamente de gorduras que esta desativação proporciona, reduz-se a acumulação de tecido adiposo, o que poderá diminuir a resistência à insulina.
Pelos mesmos motivos, pessoas com doenças cardiovasculares poderão também beneficiar desta potencial terapia. A redução do tecido adiposo e a melhoria do metabolismo energético podem contribuir para uma diminuição dos fatores de risco cardiovasculares, como a hipertensão arterial e a dislipidemia (níveis anormais de gordura no sangue).
Artigo da autoria de Alexandra Santos. Revisto por Isabel Santos de Sousa.
