Ciência e Saúde

Será a pele um “espelho” das nossas emoções?

Published

on

A influência das emoções na pele vai muito para além das rugas que compõem as expressões faciais. Na verdade, podem também contribuir para o aparecimento de várias condições dermatológicas.

Não é novidade que a forma como nos sentimos afeta a saúde física. Uma pele saudável é recorrentemente associada a fatores externos, como a alimentação e cuidados faciais. No entanto, a ciência tem mostrado que as emoções desempenham um papel crucial na manutenção da sua integridade.

A pele e o cérebro: a origem que os liga

A ligação entre a pele e o cérebro começa desde cedo, ainda durante o desenvolvimento embrionário, mais precisamente no início da gestação. Todos os órgãos e tecidos começam a desenvolver-se a partir de três camadas principais de células, denominadas “camadas germinativas”. Uma dessas camadas, a ectoderma, é responsável por formar a pele e o sistema nervoso, que inclui cérebro, medula espinal e nervos. 

Esta origem comum, pode explicar o porquê de estímulos que afetam o sistema nervoso também afetarem a pele.

O impacto do stress e das emoções na pele

O stress é, provavelmente, um dos fatores que mais interfere na integridade da pele. Quando o corpo está sob stress, o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal é ativado. Este eixo liga o cérebro às glândulas adrenais, permitindo a libertação de hormonas que podem ter um impacto visível na pele.

O tratamentos de pele é um dos fatores intrínsecos ao seu bem-estar. Créditos: Marko Milivojevic, pixnio.

O cortisol, é uma hormona libertada em em resposta ao stress. Ela leva ao aumento da produção de sebo que, por sua vez, leva ao surgimento de condições como a acne ou a dermatite seborreica. Para além disso, o cortisol pode facilitar a entrada de alérgenos e microrganismos e diminuir a produção de colagénio, substância essencial para a reparação da pele, comprometendo, deste modo, a sua função regenerativa. Caso esta situação se prolongue, a pele pode ficar mais reativa, ou seja, mais sensível e propensa a inflamações e infeções. Isto acontece porque, com a redução da atividade das células responsáveis pelo processo de cicatrização da pele, há uma desregulação do sistema imunológico. Assim, promove-se uma resposta inflamatória crónica, que se manifesta como vermelhidão e comichão ou até mesmo na exacerbação de condições pré-existentes, como a psoríase e a rosácea.

Mas não é só o stress, o “grande culpado”. A ansiedade e a depressão estão igualmente ligados ao aumento de marcadores inflamatórios no organismo, substâncias que sinalizam a presença de inflamação no corpo. Naturalmente, estas moléculas contribuem para o agravamento de doenças cutâneas autoimunes, como a psoríase e o lúpus cutâneo, e inflamatórias, como a dermatite atópica e a rosácea.

Um ciclo vicioso

Note-se que a relação descrita anteriormente é bidirecional. Enquanto as emoções podem afetar a pele, condições dermatológicas visíveis e geralmente consideradas não estéticas, como a acne, por exemplo, têm um impacto direto na autoestima e no bem-estar psicológico dos indivíduos. Este impacto, por sua vez, cria um ciclo vicioso onde a pele, ao ser afetada, agrava o estado emocional, que por conseguinte piora a condição dermatológica, perpetuando o problema. 

Problemas de saúde mental são tanto um risco como uma consequência das doenças dermatológicas. Créditos: Norma Mortenson, pexels.

Acaba por se criar um ciclo difícil de quebrar. Por este motivo, atualmente defende-se uma abordagem mais completa, que tenha em consideração, não apenas os cuidados tópicos normalmente aconselhados, mas também a saúde mental do paciente. Investigações recentes confirmam que estratégias emocionais positivas, como o mindfulness, têm mostrado resultados benéficos na redução de inflamações cutâneas e na melhoria da saúde da pele. 

Artigo redigido por Alexandra Santos. Revisto por Isabel Santos de Sousa.

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Exit mobile version