Cultura

A 7ª Noite da Queima: Chico da Tina e Veigh

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Esgotada, a Sétima Noite da Queima das Fitas do Porto, celebrou a cultura portuguesa e brasileira entusiasmadamente: Trap, Hip-Hop e Luso-Forró, o principal do dia 8 de Maio. 

A Persistência do Entusiasmo Académico

Apesar do tempo ameaçador, a passada sexta-feira não impediu que o convite para o início do fim de semana fosse rejeitado. Totalmente esgotada, centenas de jovens estudantes aproveitaram esta celebração académica para finalizar a sua semana. Desta forma, a sétima noite prometeu boa música, boa bebida, e um bom convívio.

As barraquinhas prepararam-se avidamente para mais uma noite, animadas pela música das próprias colunas, e iniciando a preparação do trabalho para mais uma noitada. Assim que as portas do recinto abriram, grupos de jovens correram para o Palco Academia, numa tentativa de guardar o melhor lugar para desfrutarem, como deve de ser, dos concertos dos grandes nomes do cartaz.

À medida que o céu foi escurecendo, o Queimódromo encontrava-se cada vez mais preenchido por jovens com um copo na mão, efusivos e alegres. Eram perto das dez horas da noite, quando o vencedor do concurso de DJs, Gui Manaça, tomou conta do Palco Academia. A eletrizante atuação do DJ serviu de combustível para o público, alimentando as expectativas para o resto da noite: o sinal oficial de que começara a celebração do sétimo dia da Queima das Fitas do Porto de 2026.

A Tradição Humorística de Chico da Tina 

Fotografia: Raquel Costa

Chico da Tina fez do Palco Academia o seu espetáculo a partir das onze horas da noite. Conhecido por englobar elementos tradicionais da música portuguesa com trap e hip-hop, o artista é o primeiro a apostar na exploração do subgénero musical luso-forró na sua vertente artística mais recente.

Abrindo o concerto com o seu recente single Sou Grande no Amor, Chico da Tina transformou o recinto numa apreciação pela junção de música com comédia. Sendo o humor um dos fatores cruciais para a sua presença de palco, o vianense apostou em adereços como insufláveis para criar uma dinâmica divertida com o público. Para além disso, serviu-lhes vinho de um garrafão – típico da cultura portuguesa.

Abrangendo várias facetas musicais, Chico da Tina performa músicas dos seus álbuns mais conhecidos, dessas Ronaldo, Põe-te Fino e Resort. Aliás, o público foi ainda contemplado com uma performance da sua concertina, assim como com a surpreendente atuação da célebre canção All Of Me de John Legend. A versatilidade performática é inegável para o artista do Alto Minho, que num concerto onde ainda apresentou músicas inéditas, encerrou-o, assim, com uma das suas músicas recentes mais celebradas: Última Dança. Nesta finalização, Lucas Maia subiu como convidado especial ao palco, acabando o concerto com o célebre dueto dessa colaboração.

Na Queima das Fitas do Porto, Chico da Tina provou a sua coragem artística mediante a experiência de outras facetas musicais, mantendo-se sempre fiel àquilo que o distingue na música contemporânea: a capacidade de modernizar a tradição da música popular portuguesa, e, assim, celebrá-la.

O Uso Vasto do Trap por Veigh

Fotografia: Raquel Costa

Ainda a celebrar a sua própria cultura, mas de maneira diferente, um dos maiores fenómenos atuais do trap brasileiro ocupou o Palco Academia numa mudança de atmosfera evidente. Mediante cores mais introspetivas como roxo, verde e azul escuro, o concerto do brasileiro passou por um misto de emoções por parte do público desde a melancolia até ao êxtase.

Iniciando o concerto com Monaco Freestyle, o artista incentivou a energia do público através da sua voz, originando uma euforia que se tornou constante até ao final do concerto. O trapper paulista, utilizando um palco dinâmico com dançarinos para umas músicas e somente a sua presença a solo para outras, trouxe ao concerto um impulso diferente, prendendo ainda mais o público.

O espetáculo enriqueceu com a performance de músicas populares da sua carreira como Vida Chique e Perdoa por Tudo Vida. Veigh ainda atuou a colaboração que realizou com a artista portuguesa Bárbara Bandeira, Fumaça, conjugando ambas as culturas através da música. Ademais, o trapper paulista convidou uma fã ao palco para cantar consigo uma das suas músicas, depois de ter notado o seu cartaz, ajudando a fortificar o ambiente ardente do concerto.

O público vibrou e Veigh mostrou-se agradecido por todo o apoio ao seu público português. Este espetáculo serviu ainda para consolidar a reputação do jovem trapper como um exemplo da ambiguidade lírica que possuem o rap e o hip-hop: letras profundas e levesA estreia de Veigh na Queima das Fitas do Porto não só serviu para engrandecer a tradição académica, como acabou por consolidar ainda mais o público do jovem artista.

Conclusão

Em suma, a sétima noite da Queima persistiu com ânimo, energia e euforia. Mediante todo o êxtase, a tradição académica prova a sua capacidade de celebração de diferentes culturas: a apreciação pela bonita complementariedade da música portuguesa e brasileira.

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