Cultura

A Herança Literária de Maria Cecília Correia

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Maria Cecília Correia (1919–1993) foi uma das vozes mais distintas e delicadas da literatura infantojuvenil portuguesa do século XX. Recebeu o Prémio Maria Amália Vaz de Carvalho e marcou gerações de leitores em Portugal através da presença constante dos seus contos nos manuais escolares do ensino primário. Caracterizada por uma sensibilidade poética, pela recusa do paternalismo e por um respeito absoluto pela inteligência da criança, a sua escrita fundou-se na verdade das coisas simples, na empatia humana e no valor de uma leitura contemplativa que desafia a pensar.

Viveu em Luanda nas décadas de 40 e 50, período em que iniciou trocas epistolares marcantes com figuras como Cecília Meireles, Armando Côrtes-Rodrigues e Agostinho da Silva, a autora construiu um percurso literário ímpar. Às obras iniciais ilustradas pela amiga e artista plástica Maria Keil, como Histórias da Minha Rua (1953) e Histórias de Pretos e de Brancos (1960), somou-se, a partir dos anos 70, uma fase  de publicações em parceria com o seu filho, António Castilho, responsável pela ilustração e design gráfico de títulos como Histórias do Ribeiro, O Coelho Nicolau, Amor Perfeito, O Besouro Amarelo e Pretérito Presente. Em 1943 escreveu o seu primeiro conto para a infância, publicado sob o seu pseudónimo na revista O Papagaio e paralelamente à literatura infantil, colaborou na imprensa escrita nos periódicos Modas e Bordados e Diário Popular e em programas infantis da RTP, além de participar ativamente em ações de promoção da leitura e manter uma produção artesanal de diários e poesia.

Para compreender como se preserva este património literário e se transmite o encanto da sua obra às novas gerações, o JUP esteve à conversa com o seu filho, António Castilho, e com a sua neta, Eleonor Castilho, fundadores do Grupo de Estudos Maria Cecília Correia (GEMCC), projeto que em 2027 assinala uma década de existência. Pai e filha partilham as memórias de bastidores, o trabalho de edição independente e a paixão por manter vivo um espólio que continua a chegar às livrarias, às bibliotecas e às mãos dos leitores do século XXI.

Créditos António Castilho/Arquivo Pessoal

JUP: Durante décadas, os contos de Maria Cecília Correia marcaram gerações de portugueses através dos manuais escolares. Como é para a família saber que a palavra dela foi a “porta de entrada” na leitura para tanta gente?

António Castilho: Quando comecei a fazer os livros com ela, em 1973, era tão natural ver os seus textos nos manuais escolares que já nem achávamos nada de especial, fazia parte do nosso dia a dia. No início do ano letivo, íamos às livrarias para ver os manuais novos e comprávamos os que traziam os contos dela. Temos imensos livros guardados por causa disso. Com o tempo, como a obra deixou de estar tão divulgada, esses textos deixaram de aparecer. Hoje é muito raro encontrar um conto dela num manual escolar, apesar de os livros estarem novamente disponíveis nas livrarias. Se voltasse a acontecer, seria um orgulho enorme.

 

JUP: Como era, para um filho, crescer ao lado de uma mãe escritora? Lembra-se de ver nascer as histórias ou de sentir que momentos da vossa infância serviam de inspiração para os livros?

António Castilho: Quando comecei a dar mais atenção ao trabalho dela, acabei por ter uma relação diferente, porque também participava. Eu ilustrava e, por isso, os textos e as ilustrações iam surgindo ao mesmo tempo. Nunca tive propriamente a noção distante de que ela era “uma escritora”, era a minha mãe e aquilo acontecia de forma muito natural. Claro que acabei por entrar nalguns contos, mas o trabalho era fluído e feito em conjunto. Por vezes, ela dizia-me: “Começa a tirar fotografias, que esta história vai dar em algo.” Eu tirava as fotos, conversávamos, ela lia-me partes do texto e ajustávamos.

Eleonor Castilho: Para dar um bocadinho de contexto: as primeiras publicações da minha avó foram nos anos 50 e 60, quando os primeiros filhos ainda eram muito pequenos e não prestavam tanta atenção ao mundo dos adultos. Depois houve um grande intervalo e, quando voltou a publicar, nos anos 70, o meu pai já era adolescente e tinha outra consciência do processo criativo. Os primeiros livros foram uma colaboração mais que contratual entre a minha avó e a ilustradora Maria Keil (que eram grandes amigas), mas nesta segunda fase o projeto passou a ser dos dois — da mãe e do filho, já que ela viu que tinha em casa alguém com interesse pelas artes visuais.

Créditos: Marta Costa

JUP: Como neta, como foi o processo de descobrir que a sua avó era uma figura marcante da literatura infantil? De que forma essa herança influenciou a sua própria relação com as palavras e a cultura?

Eleonor Castilho: Tive a sorte de crescer num meio que me estimulou desde cedo para a arte: literatura, artes visuais, música. No caso específico da minha avó, a primeira perceção de que ela tinha uma dimensão pública aconteceu quando ela faleceu: eu tinha seis anos, vi um artigo sobre ela no jornal e percebi que a minha avó não era “só a minha avó”, mas a Maria Cecília Correia. Apesar de em casa ter as prateleiras cheias de livros dela, o meu contacto direto com a sua escrita deu-se mais tarde, na adolescência, quando encontrei o livro Pretérito Presente na Feira da Ladra. Comprei-o, li-o e identifiquei-me profundamente com a sua sensibilidade. Não tenho recordações dela a ler-me um texto seu e acho uma coisa até engraçada, pois pode ter lido e não me recordo! Para mim, ler a obra foi a forma de construir e conhecer a pessoa que ela era para lá da dimensão afetiva de avó, conheço os seus valores. Eu não tenho dúvidas que o meu pai e os seus irmãos têm um conhecimento desta mulher completamente diferente do meu.

Créditos: Marta Costa

 

JUP: Em 2017, juntaram-se para fundar o Grupo de Estudos Maria Cecília Correia (GEMCC). Qual foi o momento de viragem que vos levou a assumir este papel ativo de resgate e divulgação da obra?

Eleonor Castilho: Houve uma pré-história que precisa ser contada! Quando a minha avó faleceu, o meu pai herdou um vasto material inédito e manteve a tradição de oferecer textos datilografados aos familiares no Natal, inclusive para mim. Recebi também os seus diários desde quando era muito miúda e depois foram avançando para a idade adulta, para a procura de trabalho, carreira etc. Ou seja, esse trabalho de manutenção do espólio já estava a ser feito.

O clique decisivo para a criação do GEMCC aconteceu quando uma pessoa amiga publicou um livro sobre Agostinho da Silva. Lembrei-me de ter visto em casa de uma tia um maço de cartas que o Agostinho da Silva tinha enviado à minha avó, mas que ninguém conseguia decifrar. Pedi ajuda a especialistas, consegui transcrever a correspondência e senti uma certeza: “Tenho de estudar a minha avó.” Além disso, ela também trocava correspondências com muitas outras pessoas famosas e importantes da cultura da sua geração e das gerações anteriores. Percebemos que 2019 seria o ano do seu centenário e usámos esse marco para chamar a atenção e iniciar ações de divulgação. Criámos a designação “Grupo de Estudos” para podermos contactar e colaborar formalmente com instituições culturais.

 

JUP: O trabalho do GEMCC tem devolvido os livros às livrarias e às feiras. Como tem sido a logística de manter estas edições vivas e independentes? Que reações vocês têm encontrado do público?

António Castilho: Em 2019, para o centenário, reeditámos o Pretérito Presente para que estivesse presente no colóquio que fizemos na Biblioteca Nacional. Anos antes, em 2001, eu já tinha feito uma edição própria de Histórias da Minha Rua, mas não tinha distribuição. Mais tarde, a Livraria Snob aceitou fazer a distribuição para espaços maiores como a Fnac e a Almedina e agora as edições têm tido tão boa recetividade que as próprias vendas pagam as impressões na tipografia, inclusive reeditámos o Histórias da Minha Casa também em inglês. É algo que nos dá muito prazer.

Eleonor Castilho: O nosso objetivo é garantir que a obra chegue a novos leitores. Como ela deixou muito material inédito, aprendi a fazer a paginação em software e assumimos o trabalho editorial caseiro e gosto muito de fazê-lo. Nos livros de prosa para adultos, temos utilizado fotografias da época tiradas pelo meu pai. Como a escrita da minha avó é muito baseada em acontecimentos reais, a fotografia retrata perfeitamente esse lado da verdade. Acho importante fazermos estas novas reedições porque para além de todo esse material inédito que temos, queremos que as pessoas que ainda não a conhecem fiquem com uma certa curiosidade sobre quem poderá ter sido a autora e consequentemente tenham a possibilidade de ler as suas obras.

 

JUP: Como tem sido o trabalho de divulgação do espólio através dos meios digitais e de exposições itinerantes?

Eleonor Castilho: No que toca à comunicação digital, não temos mesmo o gosto pela exposição nas redes sociais, mas temos sidos desafiados nesta parte. Contudo, percebemos que para chegar aos leitores de hoje precisávamos dessas ferramentas, por isso passámos a contar com apoio profissional nessa área. Paralelamente, sentimos que o nosso trabalho se cruza com um movimento cultural importante de resgate de autoras femininas que ficaram indevidamente na sombra.

Mas a nossa comunicação conta sim com a divulgação através dos meios digitais, como o website, o instagram e o facebook. Já tivemos alguns momentos em que notamos que as coisas andavam mais devagar por ali, mas agora, de facto, está a dar bom resultado. Também já estivemos a considerar eventos mais académicos, como colóquios e conferências por exemplo, mas estes não seriam tanto para um público mais geral.

António Castilho: Também criámos duas exposições itinerantes sobre a vida e obra da minha mãe que ao longo destes anos têm percorrido bibliotecas municipais pelo país. Uma delas era sobre como nasceu o Histórias da minha rua, o primeiro livro. Além disso, temos já agendadas para o fim do ano  duas exposições no Jardim da Estrela (Lisboa) de 12 de dezembro a 3 de janeiro. Uma exposição é biográfica  (“Comemorar Maria Cecília Correia”) e a outra é sobre a génese do primeiro livro publicado, focando-se na escrita e na ilustração (“Como Nasceu Histórias da Minha Rua”). E ainda estamos a definir, mas poderemos fazer uma inauguração ou algum evento do tipo para convidar o público e possivelmente alguém para falar sobre a obra.

 

JUP: Em 2027, o GEMCC assinala 10 anos de existência. Que balanço fazem desta década de trabalho e como é a dinâmica de colaboração entre pai e filha?

Eleonor Castilho: Olhando para trás, o balanço é muito positivo. Quando batemos à porta de editoras comerciais e não vimos abertura, decidimos fazer nós próprios. Tivemos momentos marcantes: 1º: uma exposição e colóquio na Biblioteca Nacional de Portugal, onde estiveram em exibição verdadeiras relíquias e objetos pessoais que têm imenso valor para a história da nossa família. Depois, a atribuição do nome de Maria Cecília Correia à escola básica do bairro onde ela nasceu, em Viseu, pois pensávamos que sua antiga casa já tinha sido demolida, mas ainda lá está, mesmo ao pé da escola. Outro ponto alto é os livros estarem novamente disponíveis e assim as pessoas podem ler obras de qualidade e com muito valor literário e humano, poi a minha avó era uma pessoa respeitadora e que valorizava o que era mais essencial. Para ela o prazer podia ser encontrado nas coisas mais simples.

Para os dez anos, em 2027, pretendemos realizar algum evento, mas ainda estamos a pensar sobre o que será. Só sabemos que queremos continuar a trazer esta atenção à obra da minha avó.

Quanto a trabalhar com o meu pai, tem sido ótimo, eu acho que as pessoas têm papeis diferentes e eu funciono mais como o “motor” das iniciativas. Eu não iria fazer este trabalho sozinha e complementamo-nos na nesta dinâmica do dos nossos pontos fortes e fracos, são decisões de duas cabeças e vamos sempre conversando.

António Castilho: É um gosto enorme trabalhar com a Eleonor e fico muito contente. Ela é extremamente rigorosa, traz um olhar atento e mantém o projeto em movimento constante e com muita qualidade. É uma relação de grande cumplicidade e um bom ambiente.

Créditos: Marta Costa

JUP: No meio de cartas, rascunhos e manuscritos guardados no espólio, qual foi o objeto mais emblemático que encontraram? 

António Castilho: O meu objeto preferido é uma caixinha de metal com um envelope onde a minha avó escreveu: Esta é a rosa que assistiu ao nascimento da Cecília. A minha mãe guardou-a a vida toda e, quando ela faleceu, passou para mim. As rosas fazem parte da poética da vida dela, há inclusive um texto sobre isso: A Rosa.

António Castilho: Uma outra curiosidade é que logo após o 25 de Abril de 1974, quando eu comecei a fazer os livros com a minha mãe, houve também expansão da escolaridade mínima e do número de alunos e escolas, então, o Ministério da Educação chegou a encomendar 14 mil exemplares de um único livro para distribuir pelas bibliotecas escolares.

Trecho de: “A Rosa” – Créditos: Arquivo pessoal António e Eleonor Castilho

 

JUP: Há algum conto ou projeto que a sua mãe tenha deixado inacabado na gaveta ou uma história que ela contava apenas oralmente em casa que nunca chegou a ser publicada?

Eleonor Castilho:  Quanto a inéditos, temos vários contos infantis guardados (que dependem de projetos de ilustração), a coleção dos Livros de Natal que ela própria deixou organizados, relatos de viagens que fez à Europa nos anos 50 e a África, além de um conjunto significativo de poemas. Gostaríamos muito d epublicar os textos para a infância, mas isso traz o grande desafio da ilustração. A literatura infantil não vive sem a parte visual e a nossa escala atual não nos permite, por enquanto, contratar ilustradores ou produzir livros em capa dura para todos esses projetos. Mas não temos pressa, temos tempo e havemos de lá chegar no momento certo.

Nos projetos que fomos editando e reeditando, gerimos essa questão visual de duas formas: quando se trata de obras originalmente ilustradas pela Maria Keil, mantemos as ilustrações originais (com a devida autorização do filho dela); já nos livros de prosa para adultos, recorremos à fotografia da autoria do meu pai [António Castilho]. Como a escrita da minha avó não é ficção e são relatos de acontecimentos reais que ela viveu, usar as fotografias da época em que os textos foram escritos acaba por reforçar perfeitamente esse lado de verdade. É esse mesmo rigor e sensibilidade que queremos aplicar aos textos infantis que ainda aguardam a sua vez na gaveta.

 

JUP: Se a Maria Cecília escrevesse hoje, num mundo viciado em ecrãs e em estímulos rápidos, de que forma acham que ela tentaria resgatar a atenção e o silêncio dos leitores?

Eleonor Castilho: Acho que ela continuaria a escrever exatamente com a mesma verdade, para si e para quem estivesse ao seu lado. O maior desafio atual é que a leitura é um estímulo lento num mundo de grande rapidez. A escrita da minha avó exige reflexão; não é mero entretenimento de consumo rápido, é literatura para ler e pensar.

 

JUP: A literatura infantil contemporânea aposta muitas vezes na recompensa e no consumo imediato. Consideram que o tom contemplativo e a delicadeza poética de Maria Cecília Correia funcionam hoje como uma forma de resistência cultural?

Eleonor Castilho: Honestamente, não acompanho a literatura infantil atual em detalhe, mas mantenho uma noção básica dos temas e das abordagens que se fazem hoje. E a verdade é que a obra da minha avó destoa completamente do panorama atual. Talvez já destoasse no tempo dela, mas hoje essa diferença é ainda mais evidente. A escrita dela exige uma certa inteligência e sensibilidade do leitor: nem tudo é óbvio ou explícito, o que obriga a interpretar. É uma literatura para ler e pensar”, e não apenas para “ler e entreter”. Atualmente, valoriza-se muito aquele livro que a pessoa “não consegue largar”, mas isso nem sempre é sinónimo de qualidade,por vezes, trata-se apenas de um consumo compulsivo, cheio de ganchos de atração rápida. Sempre existiram livros mais profundos e outros mais superficiais, mas sinto que hoje a fatia dos “livros de pensamento” é bem mais magra. A minha avó fica um pouco “fora do baralho” por causa disso, mas acredito que quem vai ao encontro da obra de Maria Cecília Correia está justamente recetivo a essa desaceleração e disponível para experimentar algo diferente e mais reflexivo.

 

JUP: Se pudessem escolher um texto para definir a essência da obra de Maria Cecília Correia, qual seria?

António Castilho: Para mim, as histórias que retratam acontecimentos reais da nossa infância são as mais marcantes, como os contos em que entro ainda pequeno no ambiente de casa e do quintal. Lembro-me de uma chamada “Os gatos vadios da ilha”, onde sou o “mau” da história e conta uma aventura que tive, aos dois anos, com um dos gatos vadios que invadiam o quintal da nossa moradia.

Eleonor Castilho: Eu destaco o texto “O Morais”, do livro Pretérito Presente. Narra o reencontro, em Lisboa, entre a minha avó e um antigo empregado angolano que ela tinha conhecido em Luanda. Ali revela-se perfeitamente a capacidade extraordinária que ela tinha de se ligar genuinamente às pessoas, sem olhar a estatutos sociais, com uma empatia e humanidade imensas. Este era um personagem muito solar e a sua ilustração casa perfeitamente com o girassol da fotografia escolhida para o livro.

Trecho de: “O Morais” – Crédito: Arquivo pessoal António e Eleonor Castilho

JUP: Já imaginaram ver a obra adaptada a outros suportes? Seja a música, o teatro ou o cinema?

Eleonor Castilho: Honestamente, este seria para nós um desafio ainda maior neste momento. Estes seriam projetos que envolveriam equipas grandes que para já não estão na nossa escala, mas se houver uma proposta de outras pessoas para colaborarmos, estamos abertos a esta ideia.

 

JUP: Como perspetivam o futuro da preservação deste espólio nas próximas décadas? 

António Castilho: Para mim é e sempre será um processo muito natural e afetivo que começou como uma colaboração entre mãe e filho nos anos 70 e transformou-se numa parceria entre pai e filha, unida pelo mesmo empenho em manter as palavras dela vivas.

Eleonor Castilho: O meu maior desejo para o futuro é que investigadores e leitores de fora da família se continuem a interessar e a debruçar sobre a obra da minha avó. O trabalho que fazemos serve também para inspirar outros a salvaguardar o seu património literário.

 

Para conhecer mais sobre a autora Maria Cecília Correia e todo o trabalho feito pelo Grupo de Estudos Maria Cecília Correia, deixamos abaixo os principais links com informações:

Facebook: https://www.facebook.com/profile.php?id=100028486733140

Instagram: https://www.instagram.com/escritora.mariaceciliacorreia/

Exposições  “Comemorar Maria Cecília Correia” e “Como Nasceu Histórias da Minha Rua”: https://informacoeseservicos.lisboa.pt/contactos/diretorio-da-cidade/casa-do-jardim-da-estrela-um-teatro-em-cada-bairro

 

 

 

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