Cultura
Backrooms: uma nova autenticidade no terror
A autenticidade no terror que consegue representar elementos importantes de uma geração: o filme Backrooms por Kane Parsons.
Backrooms: sinopse e elementos
O recente filme Backrooms, do jovem realizador Kane Parsons navega a história de um portal misterioso que existe na loja mobiliária do personagem Clark (Chiwetel Ejiofor) que enfrenta conflitos emocionais que tenta resolver com a sua psicóloga Mary (Renate Reinsve). Esse portal encontra-se repleto de quartos estranhamente construídos, que se vão moldando a partir do passado mal resolvido dos que lá entram, originando fugas angustiantes e labirínticas.
Clark perde-se na infinidade dos quartos vazios e preenchidos por cores inquietantes, levando a que Mary, que lida internamente com traumas relacionados à infância com a sua mãe, vá em busca dele. Mary acaba por se tornar numa vítima perfeita para aquelas paredes inconstantes, e, da mesma forma que o seu paciente, perde-se no labirinto do portal.
Autenticidade e uma nova vertente no terror
Através de cores invulgares que construíram uma atmosfera desconfortável à trama, a representação dos atores impulsionou o filme para um novo nível, proporcionando uma complexidade inegável às suas personagens. Partindo de um mito digital, Parsons criou uma metáfora altamente cativante para o público: um labirinto dos bloqueios da mente humana.
Conduzindo a câmara mediante planos incrivelmente perturbantes, ou pela sua alta amplitude, ou pela sua alta proximidade agonizante, Parsons representa visualmente o que se sente interiormente quando se foge de lidar com traumas passados e questões por resolver. Não apenas isso, o realizador prende o espectador com a questão mais angustiante: poderemos acabar como os personagens do filme, presos e moldados ao nosso próprio labirinto mental?
Backrooms demonstra uma iniciativa interessante para uma nova geração de terror, fugindo dos estereótipos do género e abraçando o potencial criado por uma geração digital. Apesar de um final rápido e aberto, Parsons consegue, acima de tudo, começar a renovação de um género promissor, representando as características e modos de uma geração.
Em suma
Backrooms revelou-se como um balanço perfeito entre autenticidade estética e sonora, cativando os espectadores para descobrirem mais acerca do universo construído. Para além disso, à semelhança de outros realizadores recentemente popularizados no terror como Curry Baker de Obsession, Parsons compromete-se a fazer parte de uma nova onda de filmes de um novo período no terror que valoriza e moderniza o género.