Cultura
Entre escolhas, luto e liberdade: a autora por trás de All of Our Mental Cages
Diana V. Fernandes descreve‑se com a simplicidade de quem nunca gostou muito de “falar sobre si”, mas a sua vida revela uma identidade marcada pelos livros, pela música e pelo hábito de caminhar para pôr as ideias em ordem. Ex‑estudante da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, onde concluiu Línguas, Literaturas e Culturas, com base em Inglês e Alemão, cresceu em Ponte de Lima e leva dessa vila a memória das amizades que a acompanham até hoje e que, segundo diz, foram essenciais para que chegasse ao momento presente. Entre a escrita do seu novo livro e o cuidado com o gato Luca, cujo nome antecipa o título de uma obra futura, Diana dedica‑se também a uma trilogia distópica inspirada por universos como Hunger Games e Squid Game, projeto que começou antes mesmo de All of Our Mental Cages. Leitora ávida, apaixonada por histórias e observadora atenta do mundo à sua volta, é dessa intensidade criativa que nasce a autora que hoje entrevistamos.
JUP: Sendo este o seu romance de estreia, em que momento a história de All of Our Mental Cages deixou de ser uma ideia e passou a ser uma certeza que precisava de ser escrita e publicada?
D.V. Fernandes: A história de All of Our Mental Cages nasceu num momento particularmente difícil da minha vida. Eu estava a passar por algo muito trágico e senti que precisava de um espaço para colocar certas emoções. A escrita acabou por ser esse processo para mim, um escape, e ainda hoje continuo a vivê‑lo. A Diana de agora não conseguiria escrever este livro, porque já não teria o mesmo estado mental. Ele surgiu quase do nada. Lembro‑me de mandar um áudio a uma amiga a dizer que tinha tido uma ideia e que talvez tentasse escrever algo pequeno, mas eu conheço‑me: nunca consigo fazer nada pequeno. Quando dei por mim, tinha escrito o primeiro draft em menos de três meses.
Depois fiz o segundo draft e percebi que estava na altura de mostrar o texto a alguém profissional. Comecei a procurar freelancers no Instagram e encontrei a Gabi, uma editora australiana. Contratei‑a, ela deu‑me feedback para o beta read e depois para o copy editing. Foi aí que senti que o projeto estava a ganhar força. Pedi também algumas ilustrações para ter uma ideia visual das personagens e, eventualmente, percebi que precisava de uma capa. Contratei a Catarina, uma ilustradora portuguesa que é cinco estrelas e que está a trabalhar comigo no próximo livro.
Cheguei a um ponto em que pensei: este é o meu primeiro livro, já investi tanto tempo e dinheiro, posso investir mais um pouco e publicá‑lo eu mesma. Assim controlo o timing e a forma como tudo acontece, antes de decidir se quero seguir o caminho tradicional ou manter‑me no independente. Comecei a investir tanto que pensei: agora vou até ao fim, isto vai mesmo ser publicado, venha o que vier.
Quando comecei a levar tudo a sério, não quis dar a mim própria um prazo demasiado curto. Mas sabia que queria lançar o livro a 17 de abril de 2026. Decidi essa data quase com um ano de antecedência, o que me deu tempo para me organizar. A certa altura percebi que não podia fazer tudo sozinha. Além da edição, havia a parte da promoção, e eu não sou pessoa de redes sociais. Tenho a minha conta privada, mas não percebia nada deste mundo. Foi aí que entrou a Marta, que já conhecia há anos e ela estava a tentar fazer algo nesta área. Falei com ela, que me apoiou imenso e ainda hoje me guia: vais fazer isto, vais para ali, vamos criar este conteúdo. Chegou a dizer‑me que eu ia ter de mostrar a cara, fazer um modelo com a minha imagem, e eu lá aceitei. É preciso saber vender‑nos a nós próprios, e eu só queria escrever o livro, não sabia nada disto.
Mas acho que também é uma forma engraçada de viver a vida!
JUP:O livro foi lançado originalmente em inglês. O que motivou esta escolha? Existe algum plano ou desejo para uma edição em português num futuro próximo?
D.V. Fernandes: Eu comecei a escrever muito nova. Lembro‑me de ter uns onze anos e escrever pequenas histórias em português, daquelas feitas num caderninho ou numa folha A4. Mas a minha mãe colocou‑me numa escola de inglês quando eu tinha uns nove anos, e isso mudou tudo. A minha professora dava‑me composições para escrever, pedia‑me para inventar cenas, e comecei a ganhar gosto por escrever em inglês e também por ler em inglês. Mais tarde, a licenciatura e o mestrado foram totalmente em inglês, por isso a língua acabou por se tornar o meu espaço natural de escrita. Atualmente, escrever em inglês sai‑me muito mais naturalmente do que escrever em português, e foi por isso que decidi que All of Our Mental Cages tinha de ser em inglês. O próximo também será.
Quanto a uma edição em português, é algo que deixo para a Diana do futuro. A minha família adorava que eu traduzisse o livro, porque não falam inglês, mas para mim isso só faz sentido mais à frente, se eu conseguir construir uma carreira minimamente estável na escrita. Traduzir para português é uma possibilidade e está em cima da mesa, mas não para já.
JUP: O que a levou a explorar os temas centrais do livro? A história nasceu de observação pura, imaginação, ou há também fragmentos de experiências reais (suas ou de amigos, familiares etc.) entrelaçados na ficção? Algum autor ou autora serviu de inspiração durante o processo de escrita ou mesmo enquanto o livro ainda era uma ideia?
D.V. Fernandes: Quando comecei a desenvolver All of Our Mental Cages, havia três coisas a acontecer ao mesmo tempo na minha vida e que acabaram por impulsionar a história. Eu estava a passar por um momento pessoal muito complicado, e isso fez com que certos temas viessem ao de cima. Ao mesmo tempo, estava a ler Red, White & Royal Blue, da Casey McQuiston, e houve ali uma dinâmica entre personagens que me fez pensar “e se…?”. Pouco depois vi o filme All of Us Strangers, com o Andrew Scott e a Claire Foy, e esses elementos juntos acabaram por formar a base inicial da ideia. A partir daí, a história começou a ganhar forma, com camadas que não posso revelar porque fazem parte dos plot twists que quero que o leitor descubra sozinho.
O luto tornou‑se um dos temas centrais do livro, mas não apenas o luto associado à morte. Há muitos tipos de luto: o de fechar ciclos, o de deixar versões antigas de nós mesmos para trás, o de perceber que a vida não segue o ritmo que os outros esperam. Por exemplo, o que eu estava a passar na altura não era o luto pela morte de ninguém, era um ciclo, a hora de fechar um capítulo da minha vida. Quando estamos a terminar os vinte anos, existe uma pressão enorme para já sabermos exatamente o que fazer da vida, e eu sentia isso muito intensamente. Olhava à minha volta e percebia que todos temos percursos diferentes, mas mesmo assim carregamos a sensação de que precisamos de chegar aos mesmos lugares ao mesmo tempo. Quis escrever uma história que dissesse às pessoas que está tudo bem não corresponder a essas expectativas.
O livro tem amor romântico, mas quis mostrar também outros tipos de amor que nos salvam: o amor da amizade e o amor por nós próprios. Às vezes a nossa vida pode estar aparentemente bem, mas se não gostarmos de nós, tudo parece desmoronar. Esses eram temas que eu, a Diana do passado, precisava de explorar, e que senti que muitas pessoas à minha volta também viviam à sua maneira.
Outra reflexão feita pela Diana durante a entrevista foi sobre a relação com o trabalho e com a pressão para “adorar” aquilo que fazemos. “Crescemos a ouvir que temos de encontrar um emprego que nos apaixone, mas a verdade é que trabalho é trabalho. Mesmo que um dia eu escrevesse a tempo inteiro, sei que haveria responsabilidades, horários, obrigações e isso também pode desgastar. Via muita gente frustrada porque acreditava que o trabalho tinha de ser a fonte de realização absoluta, quando na verdade nem sempre é assim. Cada pessoa tem o seu percurso, as suas circunstâncias e a sua forma de ver o mundo. No fim, acho que tudo se resume a isto, e é algo que digo muitas vezes: o mundo precisava de relativizar mais as coisas.”
JUP: Como a história é contada através de três perspetivas diferentes, gostaria de saber qual foi o maior desafio em dar vozes distintas a cada uma das personagens e por que sentiu que este formato era o ideal para a tua história?
D.V. Fernandes: Quando comecei a escrever a história, percebi que precisava de três perspetivas diferentes. Não queria colocar todo o peso emocional numa única personagem, até porque sinto que, quando existe apenas uma protagonista, as pessoas tendem a amá‑la ou a irritar‑se com ela. Com três vozes, o leitor tem sempre alguém com quem se pode identificar mais, seja por aquilo que a personagem está a viver, seja pela forma como pensa. Gosto dessa liberdade. Gosto de saber que, se alguém não se conectar com uma personagem, pode encontrar conforto noutra. E também me alivia um pouco quando alguém me diz que não suportou o Will, mas adorou a Marjorie, ou que entende perfeitamente o Freddie. Era exatamente isso que eu queria: três trajetórias diferentes, três formas de amar, três maneiras de lidar com o que a vida lhes coloca à frente.
Durante o processo, obriguei‑me a escrever sempre na mesma sequência. Havia dias em que me apetecia continuar apenas com uma das personagens, mas eu dizia a mim própria que tinha de me sentar com a Marjorie, com o Freddie ou com o Will, conforme a ordem. Isso ajudava a manter os capítulos equilibrados, com tamanhos semelhantes, e evitava que uma das vozes ganhasse espaço demais. Usei até uma aplicação de post‑its no computador, onde coloquei tudo o que tinha de acontecer em cada capítulo e como cada momento se ligava ao seguinte. Sabia o que precisava de acontecer, mas deixava espaço para que algumas coisas surgissem naturalmente enquanto escrevia.
Queria que os três avançassem juntos, tanto na história como no meu próprio processo de escrita. E, no meio de tudo isto, fui percebendo que criar um livro é um trabalho muito mais complexo do que parece. Exige disciplina, organização e uma enorme persistência. Por isso, quando leio algo, mesmo que não seja totalmente o meu estilo, valorizo sempre o facto de aquela pessoa ter conseguido levar o projeto até ao fim. É um esforço que reconheço profundamente.
JUP: Os leitores têm elogiado muito a complexidade das personagens e as reviravoltas (plot twists). Como foi o processo de construção desta “montanha-russa”? As viragens na história foram já planeadas desde o início ou as personagens ganharam vida e surpreenderam-na durante a escrita?
D.V. Fernandes: A construção das reviravoltas foi pensada desde o início, mas também houve espaço para criar. Eu sabia exatamente para onde queria levar a história e qual seria o ponto a que o leitor teria de chegar. O início é mais calmo porque é preciso perceber como as três personagens se interligam, mas a partir do primeiro plot twist a leitura acelera. É isso que vejo em praticamente todas as reviews: quando o leitor apanha a primeira viragem, segue até ao fim. E o ideal, para mim, é quando não apanham nenhuma e ficam genuinamente surpreendidos. Há pessoas que chegam ao final a dizer “não acredito que isto veio parar aqui”, e isso é ótimo. Os plot twists estão lá desde o início, são a base da história, mas também justificam tudo o que está para trás.
Quanto ao processo, algumas coisas estavam totalmente planeadas e outras surgiram no momento. As personagens iam revelando detalhes e comportamentos que eu própria só descobria enquanto escrevia. Era quase como se, de repente, eu percebesse mais uma coisa sobre elas, e isso ajudava a aprofundar a narrativa sem fugir ao plano inicial.
Sobre as críticas, tento lidar com elas da forma mais saudável possível. Se alguém der uma estrela e justificar o porquê, eu compreendo melhor. Mas também aceito que as pessoas têm liberdade para gostar ou não gostar. Tal como eu posso dar uma estrela a um livro que não me convenceu, alguém pode fazer o mesmo ao meu. A escrita não é para toda a gente e nem todas as histórias chegam a todas as pessoas. Às vezes não gostamos de um livro simplesmente porque não estamos no estado de espírito certo para ele. E está tudo bem. O importante é aceitar que cada leitor tem o seu percurso e as suas preferências.
JUP: E o título? Já existia ou também surgiu durante o processo?
D.V. Fernandes: O título não existia no início. A primeira ideia tinha a ver com um casamento, porque a Marjorie teria de lidar com esse tema, mas rapidamente percebi que não fazia sentido para a história. Comecei então a procurar algo que realmente traduzisse o que o livro queria dizer. Na altura eu estava a ouvir muito a música This Is Me Trying, da Taylor Swift, e há um verso que me marcou profundamente (They told me all of my cages were mental/So I got wasted like all my potential). A partir dessa frase, fiz um pequeno desvio criativo e percebi que era aquilo: as nossas próprias gaiolas mentais, aquilo que nos prende e nos condiciona. Lembro‑me de estar a testar várias possibilidades de título com um amigo a quem tinha mostrado o livro e, de repente, dizer “é isto”. Ele concordou na hora e fez sentido imediatamente. Foi assim que All of Our Mental Cages nasceu, diretamente da música e do momento em que a ouvi.
JUP: A Diana por acaso criou uma ligação mais forte ou empática com alguma das personagens em particular? Se sim, porquê?
D.V. Fernandes: As pessoas perguntam muitas vezes se tenho uma personagem preferida, mas a verdade é que não tenho. O que consigo dizer é que o Will foi o mais difícil de escrever. A Marjorie lida com a falta de amor‑próprio, algo que eu já senti, por isso consegui identificar-me com ela. O Freddie tem questões relacionadas com amizade, trabalho e frustração, temas que também reconheço. Mas o Will está preso numa relação tóxica com um homem muito mais velho, e isso é algo que eu nunca vivi. Eu nunca passei por isto, não sei qual é o sentimento base para uma pessoa se deixar arrastar numa relação assim durante tanto tempo. Por isso, tive de me sentar comigo mesma e pensar em como escrever essa experiência de forma justa e credível, de modo que as pessoas se pudessem identificar com ele, mesmo eu não tendo vivido nada semelhante. Nesse sentido, ele foi o mais desafiante.
No fundo, os três são meus. Gosto deles de forma igual. A única exceção simbólica é o facto de o meu gato ter o nome de outra personagem que ainda vai aparecer num próximo livro. Nesse caso, brinco sempre a dizer que ele é o meu preferido, porque já me acompanha há cinco ou seis anos.
A construção das personagens também nasceu de tudo o que consumo: televisão, filmes, séries, livros. Foi uma junção de referências e de observações de pessoas que conheci ao longo da vida, algumas delas envolvidas em relações parecidas com a do Will, embora não exatamente iguais. Como não tinha ninguém ao meu lado que tivesse vivido aquilo a cem por cento, tentei ser o mais delicada possível ao abordar esse tema, sempre com base no que fui lendo e aprendendo.
“O mundo precisava de relativizar mais as coisas.”

Diana V. Fernandes – Arquivo Pessoal
JUP: As reviews têm sido extremamente positivas. Houve algum feedback ou interpretação de algum leitor que a tenha feito ver a sua própria história sob uma perspetiva que ainda não tinha considerado? Algo que a tenha surpreendido?
E quanto ao relacionamento com os leitores? Qual foi a mensagem ou reação mais inesperada que recebeu de um leitor até agora? Percebeu que alguém se sentiu visto e representado através das suas palavras muda a forma como olha para o livro?
D.V. Fernandes: Sim, houve feedback que me surpreendeu. A parte da relação do Will com um homem muito mais velho, por exemplo, foi algo que tentei tratar com muita delicadeza. Não estava à espera de que, para algumas pessoas, esse elemento fosse tão forte e tão marcante. Eu achava que o tinha deixado relativamente suave, porque não queria tocar em feridas profundas, mas mesmo assim houve leitores que reagiram de forma muito intensa, ao perceberem imediatamente que se tratava de uma relação tóxica. Isso fez‑me ver que, mesmo quando escrevemos com cuidado, certos temas têm um peso emocional muito grande para quem lê.
Outra coisa que me surpreendeu foi o carinho que muitos leitores desenvolveram por personagens secundárias que eu nunca imaginei que fossem gerar tanta empatia. E eu adoro perguntar às pessoas qual é a personagem favorita delas, porque isso diz muito sobre o que cada leitor viveu, sobre o que sentiu e isso é muito interessante de observar.
E houve também quem percebesse, logo na primeira leitura, detalhes que eu achava que só seriam notados numa segunda ou terceira vez. Fico sempre impressionada quando alguém diz que percebeu que certas palavras foram escolhidas de forma propositada, porque é verdade: tudo o que está ali foi pensado. Uma amiga minha, que me conhece bem, até lia e perguntava a si mesma porque é que eu tinha escolhido uma palavra e não outra. É muito engraçado ver alguém captar esse nível de intenção.
Essas interpretações mostram‑me que os leitores entram mesmo no jogo da história e que cada um encontra ali algo diferente. E tudo isto liga‑se muito ao tema do luto, que atravessa o livro de várias formas. Não apenas o luto pela morte, mas o luto por versões antigas de nós mesmos, por ciclos que se fecham, por expectativas que não se cumprem. Talvez por isso eu seja tão empática com as interpretações dos leitores.
JUP: O processo de lançamento pode ser caótico, mas como tem sido para a Diana? Como tem vivido estes dias e o que tem significado para si? Vi que houve também uma festa, como foi?
D.V. Fernandes: Tem sido uma experiência agridoce. O lançamento digital correu muito bem, especialmente no Kobo, mas houve um problema técnico que atrasou a disponibilização do livro físico. No próprio dia do lançamento, recebi mensagens de pessoas a perguntar porque é que não conseguiam encomendar e eu própria não tinha uma resposta concreta. Foi frustrante, claro, porque queria que tudo estivesse alinhado desde o início. Mas já estou numa fase em que penso que tenho a vida toda para divulgar este livro. Quando o problema for resolvido, será resolvido, e as pessoas poderão finalmente encomendar a versão física. Como é o meu primeiro lançamento, estou a encarar tudo isto como parte do processo de aprendizagem.
Apesar desses contratempos, tem sido muito especial receber mensagens de leitores que compraram o e‑book e que me escrevem a dizer que já leram e adoraram. Esse contacto direto tem sido a melhor parte destes dias.
JUP: Se o All of Our Mental Cages fosse adaptado para o cinema, que realizador e artistas visualizaria a dar vida ao teu livro? E qual seria a banda sonora? Já pensaste nisso ou em mais algum aspeto que gostaria mesmo de ver a ser representado?
D.V. Fernandes: Em termos de atores, ainda não tenho ninguém em mente. Para este livro em particular, não houve aquele momento de olhar para alguém e pensar “esta pessoa era perfeita para esta personagem”. Curiosamente, isso já me aconteceu com a trilogia que estou a escrever, mas não com All of Our Mental Cages. Talvez poderiam ser atores novos, mas ainda não associei rostos.
A banda sonora, essa sim, já consigo imaginar muito bem. Seria uma mistura de Taylor Swift, ABBA e Lana Del Rey. São artistas que captam a vibe e a energia certa do livro e combinam com o ambiente emocional que eu queria transmitir.
Quanto à realização, gosto muito da sensibilidade da Greta Gerwig, não só pelo que fez em Barbie, mas também pelos filmes mais independentes que realizou antes. E também gosto muito do trabalho da realizadora de Hamnet, Chloé Zhao.
JUP: Há alguma pergunta que gostaria que te fizessem sobre o livro, mas ninguém fez? Algo que a Diana quer muito expressar, mas não teve a chance?
D.V. Fernandes: Não há propriamente uma pergunta que eu desejasse muito que me fizessem sobre All of Our Mental Cages porque muitas das questões que poderiam ser exploradas acabam por ser demasiado pessoais ou estão ligadas aos plot twists, por isso não posso desenvolvê‑las sem estragar a experiência de leitura.
Mas há um aspeto curioso que quase ninguém pergunta: a capa. É uma pergunta interessante, porque a resposta é simples e ao mesmo tempo inesperada. Eu deixei tudo completamente ao critério da Catarina, que é quem fez a capa e ela apresentou‑me a proposta final que eu adorei. O mesmo vale para os chapter headers e isso tem um simbolismo próprio, ligado ao que cada personagem está a viver. São pequenos triggers visuais que representam o que está por trás de cada arco. Não sei se as pessoas não perguntam porque perceberam logo ou porque passou despercebido, mas está lá.
Na capa também há objetos específicos associados às personagens, e isso foi pensado. Mas, no geral, confiei totalmente na Catarina. Ela faz capas lindíssimas e, sendo o meu primeiro livro, eu estava muito aberta a deixar alguém com experiência interpretar visualmente a história.
Tem sido uma experiência muito boa e cheia de descobertas.
Link para o livro: All Of Our Mental Cages
