Cultura
Festival de Leitura da Maia regressa com programação variada e aposta na criação de comunidades leitoras
Crédito: Freepik
A cidade da Maia recebe, entre os dias 17 e 20 de abril, uma nova edição do Festival de Leitura, cuja programação pretende aproximar leitores, autores e comunidades em torno do livro e da reflexão, assim como celebrar a literatura, enquanto espaço de encontro, diálogo e pensamento crítico A iniciativa é promovida e organizada pela Câmara Municipal da Maia, através da Biblioteca Municipal e a entrada é gratuita em todas as atividades, embora algumas exijam inscrição prévia.
Depois de uma edição experimental dedicada exclusivamente às escolas, o festival assume agora uma dimensão mais abrangente, abrindo portas a leitores de todas as idades e perfis. A organização sublinha que esta expansão responde ao desejo de transformar o evento num verdadeiro ponto de encontro para quem vê nos livros uma forma de compreender o mundo e de construir comunidade.
Entre os convidados já confirmados destacam-se Afonso Cruz, Dino D’Santiago, Martim Sousa Tavares e Inês Menezes, nomes que atravessam diferentes áreas artísticas e que prometem trazer ao festival perspetivas diversas sobre o papel da leitura na criação, na cidadania e na vida quotidiana. A estes juntam-se autores emergentes e criadores de várias áreas, como Álvaro Cúria, Carina Albuquerque, Inês Bernardo, Ludgero Cardoso e a poeta e slammer angolana Elisângela Rita.
O Match de Leitores pode ser considerado um dos momentos mais originais e disruptivos do festival, pois trata-se de uma atividade inspirada no formato de encontros rápidos, com a moderação de Fernando Alvim. Os participantes serão desafiados a conversar durante alguns minutos sobre os seus livros preferidos, partilhar recomendações e descobrir afinidades inesperadas. A organização descreve-o como um exercício de aproximação entre leitores que, apesar de desconhecidos, partilham o mesmo entusiasmo pela literatura.
Ler de Ouvido será um espaço de leitura coletiva acompanhado por um DJ set exclusivo de Inês Maria Meneses, sendo outra iniciativa com potencial para marcar o festival. A ideia desta atividade é transformar o ato íntimo e até solitário de ler numa experiência social, criando um ambiente descontraído onde a música e a palavra escrita se encontram para gerar novas formas de desfrute literário.
A programação inclui ainda o espetáculo Leituras Improváveis, que reúne em palco uma jornalista, um rapper e um vocalista de metal para reinterpretar textos clássicos da literatura portuguesa. A performance percorre autores como Camões, Camilo Castelo Branco e Agustina Bessa-Luís, propondo uma leitura contemporânea que evidencia a atualidade surpreendente de obras canónicas. A componente sonora, criada ao vivo por Luís Bettencourt, reforça o caráter experimental da proposta.
Os mais jovens têm especial atenção no evento, com atividades que vão desde experiências sensoriais e circo contemporâneo, até sessões de contos infantis, com Raquel Patriarca. Haverá ainda jogos de tabuleiro e outras iniciativas pensadas para estimular o gosto, o descobrimento e o prazer pela leitura desde cedo. O público terá ainda a oportunidade de visitar uma exposição e venda de livros, idealizada como um espaço de descoberta e apoio aos leitores que procuram novas obras e autores.
O último dia do festival será inteiramente dedicado às escolas, com competições de leitura e um encontro com Afonso Cruz, que responderá às perguntas dos alunos e partilhará o seu percurso enquanto escritor e ilustrador.
Com uma programação que combina criatividade, reflexão e participação ativa, o Festival de Leitura da Maia reforça a sua ambição de ser mais do que um evento literário. A edição deste ano afirma-se como um convite à construção de comunidades leitoras, à partilha de ideias e à celebração da literatura enquanto espaço de encontro e transformação.
Crédito: Biblioteca Municipal da Maia
