Cultura

Lago dos Cisnes: a experiência imersiva de um clássico intemporal

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Swan Lake, Lago dos Cisnes em português, é um ballet dramático de Tchaikovski (1876) e esteve no Coliseu do Porto entre os dias 21 e 22 de novembro (2025)

 

O Lago dos Cisnes é uma das peças de ballet mais conhecidas e interpretadas em todo o mundo. Este ano, no Coliseu do Porto, a peça dramática de quatro atos foi levada a palco pela Classic Stage, uma companhia de bailado nacional cujo objetivo é:

proporcionar momentos mágicos – de rara beleza – que marcam e permanecem registados na memória coletiva do grande público, através da reprodução de obras-primas de excelência pertencentes ao riquíssimo repertório clássico mundial.”

Pessoalmente, ver este bailado era um dos sonhos que tinha desde pequena, dado que sempre me fascinei pelos movimentos extraordinários que o nosso corpo consegue fazer quando aliado à música e à paixão pelo que se representa.

Neste caso, a experiência foi realmente imersiva, conseguida apenas por uma união belíssima entre a orquestra, os bailarinos e o próprio cenário. A sincronia entre os integrantes, ainda que expectável, foi perfeita, como se todos fossem apenas um só, confiando inteiramente no trabalho de cada um.

Também não me deixou de fascinar o facto de conseguirmos compreender tão bem a narrativa, ainda que nem uma palavra seja proferida ao longo da apresentação, mesmo sem conhecermos a história de antemão. Odile e Odette, o cisne negro e o cisne branco, o mal e o bem. A luta para perceber qual deles ficará com o príncipe Siegfried, por entre mentiras, enganos, persuasão e sedução.

Cenas belíssimas, fortes, que encantam e prendem o olhar. Paços de ballet arriscados, mas nunca falhados. Uma harmonia para o qual o espectador é convidado, parecendo, de algum modo, fundir-se com o bailado e deixando, momentaneamente, de estar na sua cadeira a assistir.

Corro o risco de cair em repetições, mas a música e a dança foram tão poderosas que eliminaram o mundo exterior, as pessoas ao meu lado, tudo, focando-me apenas no som das pontas dos bailarinos sobre o chão de madeira e na história que nos estava a ser contada apenas por gestos e passos de ballet.

Assistir a este bailado foi, naturalmente, a realização do meu sonho de infância, mas foi, além disso, uma experiência belíssima para todos os sentidos e também para o espírito, um relembrar que a arte é enorme, abarca diversas formas e movimentos e que, sem ela, o ser humano é realmente muito pouco.

 

Se tiverem oportunidade, não deixem de assistir a um bailado: façam isso não apenas por vós, mas pelo vosso corpo, que vos vai agradecer.

Finalmente, dar obviamente os parabéns à Classic Stage, aos bailarinos maravilhosos, à excelente encenação e à orquestra que os acompanhou, porque o vosso trabalho é realmente muito meritório e temo que este texto não lhe faça jus.

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