Cultura
László Krasznahorkai e Lídia Jorge nos últimos dias do Babell
O Babell seguiu com a sua programação, trazendo-nos o Prémio Nobel da Literatura de 2025, o aclamado escritor húngaro László Krasznahorkai, e a grande escritora portuguesa, Lídia Jorge, para duas conversas muito interessantes.
No dia 28, depois do sucesso de Margaret Atwood e de Olga Tokarczuk, chegou a vez de László Krasznahorkai dominar a cena literária. Com uma escrita tão complexa como o seu apelido para uma portuguesa que de húngaro não percebe nada, a conversa foi conduzida por Pedro Abrunhosa. Nela, o Prémio Nobel de 2025 refletiu sobre os tempos em que vivemos, os perigos que os Estados Unidos da América representam e os cenários apocalípticos que narra nos seus livros.
Como nem tudo são rosas, a primeira edição do Babell também tem, claro, as suas falhas: tanto na sessão László Krasznahorkai como na de Olga Tokarczuk, os dois escritores falaram nas suas línguas maternas (húngaro e polaco, respetivamente). No entanto, as legendas geradas por Inteligência Artificial em parceria com a tradução humana não eram rápidas e apresentavam erros. A fonte das mesmas era pequena e não conseguia ser lida devidamente em todo o recinto. Assim, as barreiras linguísticas dificultaram a transmissão da mensagem, mesmo para os próprios autores e moderadores.
Ainda assim, do que consegui compreender, o escritor húngaro parece apresentar um sentido de humor muito particular e sem dúvida que as leituras da maravilhosa Emília Silvestre me despertaram interesse para conhecer com maior detalhe a escrita do autor.
A sessão terminou com uns óculos de sol e um disco de Carlos Paredes oferecidos por Pedro Abrunhosa ao autor; mais um momento marcante e divertido deste Babell.
A assinalar o último dia (29 de junho) estiveram Lídia Jorge e Gonçalo M. Tavares numa conversa sobre as suas infâncias, o país em que vivemos e a sua evolução, o discurso polémico de Lídia Jorge no Dia de Portugal, em 2025, e as obras futuras de ambos.
A programação do Babell seguiu com a apresentação do novo livro de Valter Hugo Mãe, O século dos imbecis, e com Aparição, de Luís Osório, no varandim da Torre dos Clérigos.
Terminou, assim, a primeira edição do festival literário Babell, uma iniciativa que se deseja que perdure, com pequenas melhorias logísticas, mas com o mesmo objetivo central: divulgar e falar de Literatura na bela cidade do Porto.