Cultura

North Festival – Dia 1

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Teve início esta sexta-feira a edição de 2026 do North Festival, realizada pela primeira vez na Cidade Desportiva da Maia, após as anteriores edições terem decorrido no Porto.

O primeiro dia do evento ficou assinalado pela abertura das portas de um recinto visivelmente ampliado e desenhado para acomodar um maior fluxo de público, além de diversificar as áreas de ativação de marca, lazer e restauração. Na programação musical, o equilíbrio foi a palavra de ordem, numa jornada que começou com as promessas nacionais no Palco JN, escolhidas pelo público através de uma votação, e findou no Palco Principal com a portugalidade de Luís Trigacheiro, a energia mítica dos Ornatos Violeta e o encerramento emotivo a cargo dos britânicos Snow Patrol.

Os primeiros músicos a estrearem-se no festival, inaugurando o Palco JN, foram os Menta. A banda  apresentou uma seleção  do seu repertório de originais, destacando-se canções de forte carga lírica, incluindo temas artisticamente inspirados e motivados pelas tensões e guerras ao redor do mundo.

Houve ainda tempo para uma aplaudida versão de The Cure, uma “prendinha” ao público, dado que a  banda britânica será responsável pelo encerramento do festival no próximo dia 7. Com um estilo rendido ao rock melódico e com as suas composições já disponíveis nas principais plataformas digitais, o grupo soube conduzir com extrema simpatia uma plateia que, embora ainda restrita devido à chegada progressiva do público, respondeu com entusiasmo a uma performance apaixonada e interativa.

De seguida, foi a vez de Davi Days e a sua banda subirem ao palco. O artista, que tem consolidado o seu percurso através de espetáculos de tributo, lançou recentemente O Nosso Último Dia, o seu primeiro álbum de originais. No North Festival, a formação trouxe uma união perfeita entre estas novas composições e uma sequência avassaladora de clássicos mundiais. Perante um público já consideravelmente mais numeroso e perfeitamente sintonizado com a banda, entoaram hinos como Eye of the Tiger, dos Survivor, Take On Me, dos A-ha e Sweet Child O’ Mine dos Guns N’ Roses. Teve ainda o clássico The Final Countdown, dos Europe, mais um momento  de teaser para os presentes, já que a banda sueca é a cabeça de cartaz da segunda noite do evento.

Os Filhos da Pátria formaram o terceiro grupo da noite, trazendo à Maia a sua mais recente digressão, Machina Zero. A tour, que se afirma nas palavras do grupo como uma abordagem mais frontal, direta e simultaneamente humana, alinhou-se ao espírito do festival. Com letras cantadas em português e uma atitude rock ‘n’ roll pura, cheia de estilo e rebeldia, a banda portuense contagiou o recinto com uma forte interação com a plateia.

Paralelamente ao roteiro dos palcos, o recinto ganhou dinâmica própria através das ativações de diversas marcas parceiras, que apostaram em experiências interativas e na distribuição de brindes. A forte presença da zona de restauração e do espaço de merchandising, aliada ao apoio institucional do Município da Maia, conferiram ao festival uma estrutura sólida nesta sua nova geografia.

A transição para o Palco Principal fez-se através da voz única de Luís Trigacheiro, vencedor da edição de 2021 do The Voice Portugal, que brindou os presentes com o seu repertório próprio, pautado pela já conhecida influência da música tradicional portuguesa e do cante alentejano. Ao longo da sua atuação, o músico mostrou-se extremamente simpático e comunicativo, exaltando repetidamente a energia e a receção calorosa do público do Norte. O espetáculo ganhou ainda um momento mais descontraído quando Trigacheiro partilhou o palco com os ÁTOA, recebidos como convidados especiais num momento de grande cumplicidade que conquistou em definitvo o recinto com as canções Ritinha, Porta 43 e Tu na Tua.

O rock alternativo nacional tomou conta do festival com a entrada em cena dos unânimes Ornatos Violeta, que ouso dizer terem sido os que mais levaram pessoas para assistí-los. Em casa, a mítica formação liderada por Manel Cruz provou a intemporalidade absoluta das suas canções. Assim que ecoaram os primeiros acordes, não houve barreiras geracionais na Maia, tanto os fãs da “velha guarda” como os mais jovens, incluido crianças, uniram-se numa só voz. Com temas que moldaram a música portuguesa nas últimas décadas geraram uma onda de nostalgia e energia , demonstrando que o carisma e a poesia do grupo continuam vitais, necessários e contagiantes. Destaque para as incontestáveis Ouvi Dizer, Chaga e Coisas.

O compromisso de encerrar esta primeira noite ficou inteiramente entregue aos cabeças de cartaz da noite, os britânicos Snow Patrol. Liderada por Gary Lightbody, a banda escocesa-irlandesa ofereceu um concerto  profundamente imersivo e marcado por uma cumplicidade imediata com o público português. Através de uma viagem pelas músicas mais emocionais e pelos solos crescentes de guitarra que definiram o rock independente dos anos 2000, o grupo envolveu o relvado numa atmosfera envolvente, entre canções, conversas com o público e até tentativas de palavras em português por Ligthbody.

O auge da noite chegou com os hits  Run e Chasing Cars, que colocaram as milhares de pessoas presentes a cantar sob o céu da Maia, que começava a ensaiar uma chuva fina. Com uma entrega impecável, os Snow Patrol proporcionaram o desfecho perfeito para um dia inaugural.

O North Festival tem ainda mais duas datas: 6 e 7 de junho, com a presença dos já citados The Cure e Europe, mas conta também com Waterboys, Liniker, Mogway e Linda Martini, entre outros.

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