Connect with us

Cultura

O petróleo como obsessão – “There Will Be Blood” no Centro de Cinema Batalha

Published

on

Frame de grande plano do filme “There Will Be Blood” de 2007. Imagem retirada do site aarondcharles.com

No passado dia 2 de maio, a sala do Centro de Cinema Batalha lotou com a exibição do clássico contemporâneo “There Will Be Blood”, que marcou mais um momento do ciclo de cinema dedicado a Paul Thomas Anderson e à representação do tema da obsessão nos seus filmes.

Inspirado no romance de 1927, “Oil!”, de Upton Sinclair, o drama de 2007 apresenta uma intensa narrativa sobre a exploração e capitalização  do estado da Califórnia durante o “boom do petróleo”, no início do século XX. A atuação monumental do ator Daniel Day-Lewis como Daniel Plainview, um homem de negócios consumido pela ideia de poder, transmite ilustremente a compulsão humana de exploração e ganância, juntamente com a vitória do capitalismo sobre a natureza.

Ao construir um claro cenário da dualidade americana sustentada pelo lucro monetário e pela fé, presencia-se um duelo longo e brutal entre o ganho de capital e a religião, movido sobretudo por desejos frágeis e compulsivos das personagens. Através deste discurso entende-se que não importam os meios ou as ferramentas, o objetivo será sempre a exploração, quer seja da natureza e dos seus recursos, quer do espírito humano.

O público presente na sessão do Batalha prestigiou em grande dimensão a maestria formal de Thomas Anderson ao captar os grandes planos da paisagem desértica no seu contraste com a imposição humana. A sonoplastia frenética, desenvolvida por Jonny Greenwood, guitarrista dos Radiohead, abalou a sala de cinema ao criar uma aura inquietante e quase “profética” do destino das personagens.

Mais do que um simples retrato sobre o comércio do petróleo e o mundo dos negócios, “There Will Be Blood” é um estudo feroz que declara a presença da violência escondida no desejo ilimitado de vencer, manifestada quando a compulsão substitui o afeto ou a empatia. Por fim, entendemos que o petróleo surge como uma metáfora da obsessão: algo escondido nas profundezas, prestes a explodir, capaz de enriquecer e destruir.

Continue Reading
Click to comment

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *