Cultura

Primeira Box traz Calcutá, EVAYA e Astra Vaga ao Coliseu do Porto

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No passado dia 6 de julho, após uma sofrida derrota contra a seleção da Espanha no Mundial de futebol de 2026, começava pelas 22h a primeira edição do Primeira Box. O programa, com curadoria de João Vieira (DJ Kitten / X-Wife) e da equipa do Coliseu, trouxe, então, para a sua primeira sessão, Calcutá, EVAYA e Astra Vaga, três atos da cena musical portuguesa.

A abrir a noite contamos com os talentos da cantautora Teresa Castro, conhecida pelo seu nome artístico de Calcutá: uma curiosa alusão à figura religiosa macedónia do século XX. Naquele que foi o concerto mais atmosférico e imersivo da noite, a artista, a sós no palco, apresentou-nos o seu mais recente lançamento, Soon After Dawn, publicado a 23 de janeiro deste ano. Background of Purpose e Run Come Rally uniram-se numa grandiosidade quase espiritual; uma realidade alternativa de um western gótico, com vozes ecoantes pela nave de uma catedral, ou até uma fuga por entre os vales do Grand Canyon. Calcutá recorre ao seu multi-instrumentalismo para nos contar histórias do maravilhoso, mesmo sem ser preciso recorrer a palavras. E isso sentiu-se na sua atuação, com o indispensável auxílio da equipa de luzes e imagem, onde se complementou a paisagem sonora com um belíssimo ambiente visual. Explorou-se um pouco de Earth ou Thou por entre as suas passagens mais ligadas ao drone e ao folk, que, contraintuitivamente, se complementam.

Calcutá | Fotografia: Inês Aleixo (@0xiela)

De seguida, subiu ao palco EVAYA, com uma postura quase diametralmente oposta à anterior atuação. O projeto de Beatriz Bronze, focado num avant-pop mais experimental por outras vertentes, tal como numa performance mais dinâmica, mostrou ter já estudado Björk, fosse por alguns maneirismos vocais, ou pela aposta num mundo fantástico — ao contrário de Calcutá — bastante mais esotérico e transcendente. Um nome que ganhou maior presença no panorama artístico nacional com a participação no Festival da Canção deste ano, com a sua faixa Sprint, e que veio tanto defender o seu mais recente lançamento de 2024, Abaixo Das Raízes Deste Jardim, como algumas músicas novas pela primeira vez apresentadas em público. A cantora foi, também, acompanhada instrumentalmente por phaser e pela harpista Frederica Vieira Campos.

Por fim, o projeto a solo de Pedro Ledo, de nome Astra Vaga, ao qual se juntou banda ao vivo, partilhando com a plateia o seu disco de estreia, Unção Honrosa. Os singles já vinham ganhando popularidade, com Lamento a tomar as rédeas e a catapultar o músico para a cena alternativa portuguesa. Ledo, que já tinha cimentado a sua posição através de grupos como The Miami Flu e Lululemon, aventura-se agora pelos caminhos já percorridos pelos grupos de post-punk e synth pop dos eighties, com um toque de saudosismo — ironicamente — autêntico português. Apesar de tudo, é ajustado à grande nostalgia que se faz sentir por todo o mundo a nível musical. Escapando-se às exigências da cultura pop atual, que pede cada vez mais um retorno aos 90s e 00s, Astra Vaga parece verdadeiramente retirada dos anos 80, seja a nível sónico, como visual: por si só, talvez um elogio pelos enormes nomes da música portuguesa que se estabeleceram nessa década.

A programação da Primeira Box continua, tendo já sido dia 21 de setembro dedicado ao hip-hop com Ed, João Não & Lil Noon, e Rodrigo 13, como no dia 12 de outubro, com um regresso à cena alternativa com Conferência Inferno, Marquise e Summer of Hate.

Texto:
– Diogo Macedo Malcata

Fotografia:
– Inês Aleixo @ 0xiela (Instagram)

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