Cultura
Seal e James: Maré Alta no MEO MARÉS 2026
Das rodas de samba, à pop nacional e à mestria intemporal de Seal e James, o MEO MARÉS 2026 entregou uma verdadeira conversa entre os artistas em palco e o público.
Para mim, a entrada no recinto foi feita ao som dos Vizinhos, cujas canções finais deixaram todos na fila a cantarolar. Já com os pés bem assentes em Leça da Palmeira, junto ao mar, o meu final de tarde começou com os ritmos quentes do Papo de Samba, que rapidamente me tiraram os pés do chão. No palco Coca-Cola Samba, uma plataforma de 360º que permitiu uma interação com o público aumentada, o coletivo trouxe a verdadeira essência e alegria das rodas de samba para o recinto. Inegavelmente, foi o aquecimento perfeito, convidando a plateia a agarrar num fino e dançar ao som do pandeiro e do cavaquinho.
Em seguida, as atenções viraram-se para Diogo Piçarra. O artista português apresentou a sua pop eletrónica emotiva. O cantor surpreendeu ao trazer a palco Carolina Deslandes, Satiro e ZARKO, em ocasiões distintas, com os quais interpretou temas conjuntos: “Anjos”, “Só existo contigo” e “Vem-me salvar”, respetivamente. Além disso, a sua voz inconfundível e a forte presença em palco agarraram rapidamente a plateia, que cantou os seus hits, em uníssono.
Posteriormente, a noite ganhou um tom de pura classe com a lenda internacional Seal. O cantor e compositor britânico espalhou o seu charme inegável com uma voz rouca, mas aveludada. Sem dúvida, a sua fusão elegante de soul, R&B e pop continua tão magnética como sempre. Como não podia deixar de ser, ouviram-se “Kiss from a Rose” e “Crazy” ecoar pelo festival, criando um ambiente profundamente envolvente. O artista amplificou ainda mais essa envolvência ao interagir incessantemente com o público, num concerto que o próprio denominou como uma “conversa”, reforçando o seu caráter bilateral.
Provas vivas de que a música ao vivo é de facto bilateral, uma dança entre dar e receber, foram todos os brilhantes músicos que integram a banda James. A banda britânica criada em 1982, liderada por Tim Booth, provou, mais uma vez, a sua ligação afetiva e inquebrável com o público português. De facto, o seu indie rock carismático e cheio de vitalidade transformou a plateia num verdadeiro coro gigante. Não posso deixar de destacar a presença em palco inigualável de Tim, bem como de Chloe Alper, o verdadeiro canivete suíço da banda, e de Saul Davies, com o seu português irrepreensível. Em suma, foi uma celebração absoluta, provando que a sua energia contagiante atravessa gerações sem perder a sua força.
Por fim, para os resistentes que recusavam arredar pé, os Insert Coin ditaram o ritmo da madrugada. Embora de forma breve para a minha jornada, o duo português entregou a sua habitual viagem nostálgica pelos grandes êxitos das pistas de dança dos anos 90 e 2000. Assim, num ritmo frenético, garantiram que as últimas energias do dia fossem bem gastas.
