Cultura

The Cure, Mogwai e Linda Martini — O 3.º dia do North Festival

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O terceiro e último dia do North Festival, no Centro Desportivo da Maia, foi pautado por muito rock e muita nostalgia.

O palco principal aguardava ansiosamente ser pisado por Linda Martini, Mogwai e The Cure. Entretanto, no palco secundário ouviram-se Os Tua, Ordenado Mínimo e Defera.

Vestiram-se as roupas mais escuras do armário, arejaram-se as casacas de cabedal e afiaram-se os lápis de olhos pretos.

A energia no recinto começou por ser testada pelos portugueses Linda Martini. A banda lisboeta formou-se em 2003 e, desde então, tornou-se num dos pilares do rock alternativo e do post-hardcore nacional. De facto, os seus concertos são sobejamente conhecidos pela sua energia crua. ÉO quarteto fez ecoar temas incontornáveis de álbuns aclamados como Casa Ocupada e Sirumba, preparando o terreno para uma noite memorável.

Entre muitas outras coisas, não pude deixar de reparar no bombo de Hélio Morais, que se lia “PALESTINA LIVRE”. A banda também se posicionou politicamente durante o concerto, tocando “Faz-se De Luz”, música do disco lançado em janeiro do ano passado, Passa-Montanhas. André Henriques, voz principal dos Linda Martini, relembra que:

Há quem nos queira vender luz e que anda com um isqueiro aceso na mão, quando, na verdade, tudo o que tem para oferecer é somente escuridão.

E é essa a reflexão que levo comigo deste concerto, para além das batidas incessantes e as notas do baixo de Cláudia Guerreiro.

Em seguida, a viagem sonora entrou nos territórios profundos do post-rock com os Mogwai. Formados em 1995, os artistas escoceses são verdadeiros mestres na construção de paisagens sonoras instrumentais, que complementaram na perfeição os tons do pôr do sol que banharam o céu durante o concerto. Nesse sentido, as suas composições caracterizam-se por começarem muitas vezes num sussurro que evolui lentamente até culminar em autênticas explosões de som. Por isso, a sua experiência ao vivo é altamente imersiva e quase hipnótica. Em suma, o público recebeu crescendos épicos e muitas distorções de guitarras, ideais para envolver a plateia do festival, música atrás de música.

Mogwai, nome que vem do filme Gremlins (1984), não deixaram os posicionamentos políticos apenas para os portugueses. Os escoceses trouxeram a palco duas bandeiras: a bandeira do orgulho trans e a bandeira da Palestina.

The Cure | Fotografia: Inês Aleixo (@0xiela)

Por fim, chegara o momento mais aguardado deste terceiro dia, quiçá até de todo o North Festival. Inegavelmente, a lendária banda liderada por Robert Smith ajudou a definir o post-punk e o rock gótico desde a sua formação em 1978. Apesar de serem amplamente celebrados pela melancolia densa de obras-primas como Disintegration, a banda tem várias facetas. Por exemplo, dominam igualmente a arte de criar sucessos pop altamente dançáveis. Desta forma, clássicos eternos como “Boys Don’t Cry”, “Just Like Heaven” ou “Friday I’m in Love” uniram gerações. Debaixo de um céu limpo e estrelado, Robert Smith, Simon Gallup, Roger O’Donnell, Perry Bamonte, Jason Cooper e Reeves Gabrels rodaram anos de discografia em duas horas e meia de concerto, com direito a dois encores. Destacaram-se ainda as versões ao vivo de “A Forest” e “Lovesong”.

Em conclusão, foi uma atuação monumental, longa e profundamente nostálgica para coroar e fechar com chave de ouro esta edição do North Festival, na Maia.

Texto por Sara M. Silva

Fotografia:
Inês Aleixo @ 0xiela (Instagram)

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