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Placebo, o Éden (Quase) sem telemóveis

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Na passada segunda-feira 28 de setembro de 2026, os Placebo deram início à sua tour mundial na Super Bock Arena, na cidade do Porto.

Antes mesmo do início deste tão aguardado concerto, o público já se encontrava pasmo com a exibição de sinais com a frase “Better without a phone” e um pequeno comunicado por parte da banda onde referem que a gravação do espetáculo é proibida, porque a banda quer que as pessoas desfrutem deste momento musical como ele é e não pelo ecrã dos dispositivos.

Os Placebo escolheram o Porto para arrancar com a tour europeia pela celebração dos seus 30 anos de carreira e mostraram não temer a idade, já que estão mais vivos do que nunca! Numa noite de mais de hora e meia a destacar os icónicos álbuns Placebo e Without You I’m Nothing, a banda, que já soma vinte passagens por Portugal, provou que é considerada “prata da casa”, pois desde 1997 reúne fielmente a legião de fãs que conquistou por cá. A digressão europeia conta com 37 apresentações e será finalizada no dia 7 de dezembro em Cardiff.

Como nem tudo são flores, o público portuense falhou na única regra imposta pela banda e deixou-se levar pela necessidade de reviver o momento digitalmente. Este vício do público provocou o vocalista Brian Molko que, num momento próximo do fim do concerto, expulsou um fã que insistiu em filmar o concerto na primeira fila. Servindo de exemplo para todos aqueles que tentaram fugir pelos pingos da chuva.

Apesar deste momento insólito, quando o público inteiro se sentiu na obrigação de guardar o telemóvel, deu-se um dos momentos mais impactantes do próprio concerto. Em que a única luz disponível em todo o espaço era a luz do palco e o público cantava e dançava junto com a banda, enquanto soava Bruise Pristine, música que seria tocada pela segunda vez desde 2001.

Um detalhe importante de ser referido é a constante troca de aparelhagem de som por parte da banda, este “rig” extremamente vasto possibilita a banda alcançar o mais perfeito som do shoegaze que as gravações não permitem captar.

Para além da revisitação dos seus dois primeiros álbuns, a banda veio provar que o passar dos anos só lhes trazem mais criatividade, apresentando o seu novo single “Hellen Keller”, lançado no dia do concerto no Porto, single inspirado na melodia de piano da música do seu primeiro álbum “H.K Farewell”. Sendo também nomeada a partir de uma das personalidades históricas favoritas de Brian Molko.

Entre músicas que não viam a luz do dia há mais de 20 anos e singles novos, o espetáculo foi encerrado com um encore bem composto. Após uma falsa saída do palco, voltaram para tocar o seu maior êxito “Every You Every Me”, onde o público inteiro se encontrava de pé a cantar em uma só voz, seguido de um cover vigoroso da música “I feel You” dos Depeche Mode, onde o vocalista Brian Molko fugiu das suas raízes para descer do palco e abraçar o público.

A música do adeus ao público portuense foi “Running Up That Hill (A Deal With God)”, outro grande êxito da banda e que trouxe o público mais unido do que nunca, entre lágrimas, sorrisos e abraços, a voz de Molko estava no seu ápice, quase como se todo o concerto tivesse sido realizado para aquele momento.

Infelizmente tive de sair a meio da música final para conseguir apanhar transportes públicos, mas posso admitir que do exterior do recinto, ouvia-se o público todo unido. Mas, para mim, o momento mais bonito dessa noite foi o casal que se encontrava à entrada do recinto a dançar esta última música juntos enquanto a recitavam palavra por palavra um para o outro.

Com este clima enternecedor, os Placebo despediram-se da cidade do Porto, com a sensação de que não foi um adeus, mas sim um até já.

Reportagem fotográfica por Lívia Bueno:

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