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Emília Lopes Pinho e “Fafe é Nosso”: já fizeste a tua avó sorrir hoje?

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Emília Lopes Pinho, que frequenta o Mestrado Integrado em Medicina na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), obteve o reconhecimento do Prémio Cidadania Ativa na sua 10ª edição, na Vertente Humanitária e/ou Solidária. Esta distinção deve-se à criação, em conjunto com colegas de curso, do Fafe é Nosso”, um festival de música em Fafe, a terra onde cresceu. O evento, associado a uma componente de voluntariado, excedeu largamente as expectativas e resultou numa angariação de fundos com impacto real na vida dos fafenses.

A relação de Emília não só com o voluntariado, mas com as suas experiências em geral, rege-se pela conhecida expressão de Abel Salazar: “O médico que só sabe de medicina nem de medicina sabe”. Após ter explorado vários tipos de voluntariado, compreendeu que aquilo que a envolveria de uma forma mais genuína teria de ser “algo bastante dinâmico, que se manifestasse na concretização de eventos”. Esta vontade traduziu-se em ação, tendo como alvo a cidade minhota de Fafe. A conversa com a estudante deixou bem claro o porquê.

Emília reconhece o facto de ter crescido em Fafe como um dos pilares da pessoa que é hoje. Elogia os fafenses como pessoas muito calorosas, e explica que se trata de uma terra “muito rica em cultura, (…) numa tendência sempre a formar grupos e não a separá-los”.

Ao crescer, foi vendo a aldeia dos avós a ficar cada vez mais desertificada, e sentiu que poderia agir de modo a contrariar esta tendência. “Tive uma ideia, quando era caloira, de levar o meu ano inteiro para Fafe”, recorda. O sucesso desta iniciativa lançou as sementes para uma outra. “Depois pensei: vamos colocar isto para o próximo nível, em que traga os meus amigos, e que faça também de Várzea Cova um mar cultural.

Um festival de música apresentou-se-lhe como algo que juntaria os dois objetivos, colocando a sua aldeia “no panorama cultural nacional através da música”. Assim nasceu a primeira edição do “Fafe é Nosso”, organizado por Emília e oito amigas.

A primeira edição superou, em dimensão, aquilo que o grupo esperava. “Estávamos a contar com cerca de 200 a 300 pessoas; vieram mais de 600”, afirma Emília, sobre um evento que partiu de orçamento nulo, mas cedo reuniu uma série de parcerias e culminou na angariação total de 40.000 euros, não só em dinheiro vivo como em apoios logísticos. Após a cobertura dos custos do festival, o valor restante foi doado para as festividades da Páscoa da aldeia e para a associação recreativa de Várzea Cova e Moreira de Rei (ARMA).

Não contemplada no valor monetário está a força humana, voluntária, que fez este festival acontecer. “O maior donativo possível”, garante.

Foto: Ana Costa

Mais do que os números, Emília sabe que um dos maiores objetivos do evento foi cumprido, tendo colocado Várzea Cova na memória coletiva de centenas de pessoas. “Agora, passado um ano, ainda se fala na aldeia dos meus avós”, comenta.

O “Fafe é Nosso” foge ao convencional em vários aspetos. Em primeiro lugar, é um evento organizado exclusivamente por estudantes. “Não estamos associados a uma grande empresa, se o estivermos é porque partilham dos nossos valores”, afirma Emília. Além disto, em todas as componentes do evento, a organização fez questão de dar “primazia a artistas de Fafe, e aquilo que é o talento local”.

“É preciso fazer as coisas porque nos dão vida. Dão-nos gana!”

A estudante tem noção das dificuldades associadas a esta independência, mas sabe que com a sua equipa, elas nunca se tornaram impeditivas. “Eu tenho amigos muito bons”, resume. Amigos esses que, felizmente para o “Fafe é Nosso”, partilham do seu modo de pensar relativamente a tomar iniciativas. Emília considera que, mais do que movidos por interesses pessoais e profissionais, “É preciso fazer as coisas porque nos dão vida. Dão-nos gana!”.

Foto cedida por: Emília Pinho

Por fim, chama a atenção para várias iniciativas de voluntariado que estão associadas ao festival, e que pretendem ir além da noite de música, contribuindo para o dinamismo da região.  Na segunda edição, as iniciativas irão passar por pintar casas e criar um marco cultural relativo a uma passagem de Saramago sobre os vales de Várzea Cova. “Queremos cuidar de uma terra, e fazê-lo de uma forma sustentável”, justifica.

Para Emília, o “Fafe é Nosso” representa a concretização contínua de “um projeto pessoal de dar à terra”. A isto, alia a sua perspetiva sobre a vontade, comum entre os jovens, de mudar o mundo. “Há uma coisa que podemos mudar primeiro: de onde vimos, as coisas locais”, lembra. E não tem dúvidas que isto se materializa em algo muito concreto: “Fazer a minha avó feliz!”.

A estudante considera que a atribuição do Prémio Cidadania Ativa é uma prova, por parte da Universidade do Porto, de que valores como o contributo para a comunidade são defendidos e valorizados. “Vejo na instituição onde estou inserida o reconhecimento, mas também a vontade, de que sejamos, e cada vez mais, jovens dinâmicos, mas acima de tudo pessoas completas.

A entrevista completa de Emília por ser assistida no canal de Youtube do JUP.

Fique atento a novidades sobre esta e próximas edições no Instagram do festival.

 

Artigo escrito por: Ana Pinto

Editado por: Inês Miranda

Conteúdo Multimédia por: Ana Costa (vídeo e fotografia)

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