Cultura

Faup Test II traz de volta ao Campo Alegre os sons do underground português

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No passado dia 9 de abril, abriam-se as portas à última noite de concertos antes da 10ª edição do Faup Fest. Desta vez de volta a “casa”, o Faup Test II contou com a presença de Berma, Navegantes da Rua e Pato Bernardo para proporcionar a banda sonora ao magnífico cenário que englobava o palco do Pavilhão Carlos Ramos.

Ainda jovens no panorama do underground portuense, os Berma abriram as hostilidades, atraindo progressivamente mais gente ao palco. O conjunto, fundado como um trio, logo se expandiu para um quinteto após sucessivas iterações, contando agora com um alinhamento peculiar: “ana tomé luís laura manel” . Apesar disso, a linha sonora foi se transmutando, de forma até sigilosa, tendo a banda atuado 6 vezes ainda sem material lançado. Uma aposta na nostalgia da herança do rock português dos 90’s é clara, com uma abordagem crua e emocional, talvez com uma certa ingenuidade que apela à rebeldia da juventude. Um pequeno grupo de fãs da banda fez-se ouvir nos interlúdios entre canções, quase como um quebra-gelo caricato sobre a dinâmica entre atuadores e plateia.

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Se os Berma foram um bom aquecimento para o público, o trio Navegantes da Rua subiu ao palco com todas as condições para um concerto de arromba — e não é que assim o fizeram? O grupo formado em 2024 pelo baixista Israel Machado, baterista André Vagaroso e saxofonista David Machado concebeu uma fusão de jazz e rock explosiva, capaz de despertar quem vagueasse pelo jardim do Pavilhão Carlos Ramos. A qualidade individual dos membros foi desde logo aparente, bastando um breve line-check da sua faixa Baião para qualquer entusiasta de jazz, ou músico, no público se apercebesse do nível da atuação que se aproximava. Por outras palavras: química pura entre 3 amigos, afundados numa sintonia total e com grooves contagiantes. Os bracarenses partilharam connosco o seu disco de estreia Pontas Soltas, publicado no final de 2025, naquele que foi sem dúvida o concerto mais memorável da noite.

 

A encerrar a noite contamos com os pós-hardcorianos Pato Bernardo, que trouxeram de Lisboa o momento mais pesado e errático do Test. Com Martim Lino na guitarra, Diogo Paço no baixo elétrico e Francisco Saramago na bateria — com a participação especial no concerto de um quarto membro, útil quer a enrolar, como a adicionar pormenores percussionistas às faixas — o grupo encapsula todo o desespero, agonia, honestidade e beleza do emo e post-hardcore numa multitude de sons, ora consonantes, ora dissonantes. O leque de influências da banda é vasto, como verificado pelo seu lançamento de 2024, A Sombra do Chão, uma espécie de compilação de fragmentos de sonhos partilhados pelos membros do conjunto, que nos transportam numa odisseia bizarra, mas profundamente complexa, e nos cola à sua narrativa instrumental. Na sua atuação, notou-se uma postura mais inclinada para uma certa improvisação em momentos pontuais, lendo a plateia e, também, como a própria jam se ia mutando e adaptando ao ambiente entre os músicos.

 

Após todos os concertos, foi a vez da organização do Faup Fest dar o seu contributo, revelando, por fim, o cartaz da 10ª edição do tão aguardado festival, a realizar-se dia 15 de maio. Entre os atos confirmados, contamos com Amijas, Barananu, Cativo, Cortada, Cremalheira do Apocalipse, Durvena Cabina, Falcona, Joana Guerra, Manga Cava, Prado e os cabeças de cartaz Maria Reis e Sunflowers.



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