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Educação

Jovens Des(influencers) desafiam outros jovens a repensarem a utilização das redes sociais

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Fundado em 2024 e coordenado pela Professora Sara Tavares, docente na Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP), o projeto (Des)influencers surgiu para alertar e consciencializar os jovens para os impactos negativos das redes sociais.

O começo parece ter sido involuntário: numa aula de Francês, a professora Sara Tavares abordava “o quão preocupante era o uso cada vez mais constante e descontrolado que os jovens fazem das redes sociais. Depois, percebi que alguns alunos também tinham a mesma preocupação, e desafiei-os a fazerem algo para mudar esta realidade”. Inicialmente, apenas três estudantes se mostraram interessados. O suficiente para o surgimento dos (Des)influencers.

Tal como o nome indica, este grupo de jovens pretende ser o oposto dos criadores de conteúdo que nos seduzem a passar horas e horas nas redes sociais ou que manipulam a informação transmitida: “queremos explicar aos mais novos como é que realmente funcionam as redes sociais e mostrar-lhes que muito do que veem não é real”, refere a docente. O objetivo é transmitir a informação “de jovens para jovens”, como indica a professora Sara Tavares, realizando palestras em várias escolas, com alunos do 6.º ao 11.º anos de escolaridade. Até ao momento, já estiveram em escolas do Porto, Gaia, São João da Madeira e estão, agora, a cobrir o concelho de Penafiel.

O que os torna singulares? A questão parece muito relevante num mundo recheado de palestras e ações de sensibilização, mas o projeto vai mais longe: “juntamos uma parte científica a temas menos trabalhados. Os alunos já ouviram falar sobre os problemas de saúde mental que as redes sociais acarretam, mas talvez nunca lhes tenham falado de temas mais particulares, como a pornografia ou a pluralização. Como jovens, sabemos o que é que os alunos veem nas redes e, por isso, é mais fácil mostrar-lhes os perigos que correm”, afirma Tomás Martins, aluno do primeiro ano de licenciatura em Línguas e Relações Internacionais na FLUP.

Atualmente, o projeto conta com cerca de 19 membros, alguns que o integram desde o princípio, como é o caso de Carolina Carvalho, de 21 anos, que se juntou ao projeto para controlar o seu próprio vício: “não conseguia deixar mensagens por responder e passava demasiadas horas nas redes sociais. Percebi que tinha um problema e este projeto foi a chave para o resolver”.

Outros, como o Tomás, juntaram-se mal entraram para a faculdade. É este também o caso de Leonor que se mostrou cética no princípio e que admite que “não pensava em fazer parte, mas percebi que o projeto é mesmo diferente e permite-me falar em público e sobre um assunto que me preocupa”.

Desde que estão no projeto, os três alunos afirmam que a sua literacia no que ao tema diz respeito aumentou exponencialmente e perceberam que, deixando o telemóvel de lado, foram capazes de descobrir mais sobre si mesmos: encontraram-se na pintura, no cinema, no babysitting ou simplesmente com os amigos: “percebi, ao dar outro uso ao meu tempo livre, que gosto muito de cinema”, refere a jovem Carolina. Já Leonor e Tomás mencionam estar “muito mais alerta para o problema e ter conhecimentos que antes não possuíam”.

Sara Tavares explica que “qualquer aluno, de qualquer faculdade ou ciclo de estudos pode fazer parte do projeto, desde que se sinta alinhado com os valores do mesmo”.

Se procuras dar voz a um assunto que te preocupa, não percas a oportunidade e junta-te aos desinfluencers!

 

Artigo por: Mafalda Correia

Editado por: Mariana Dias

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