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Ciência e Saúde

Bryan Johnson: desafio e redefinição dos limites da vida humana

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Desde a venda da empresa multimilionária Kernel, que o seu fundador Bryan Johnson dedica a sua vida a uma só questão: e se não morrêssemos?

Temas como a longevidade abrem asas a uma filosofia de vida inovadora onde, em vez do ser humano pensar em como será a vida para além da morte, questiona o que poderá ser feito para alcançar uma longevidade nunca imaginada pelos seus antepassados.

É um facto que o avanço da medicina desafiaria a morte. Um dos exemplos deste desenvolvimento são as vacinas que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) previnem a morte de milhões de cidadãos. Estima-se que cerca de 3,5 a 5 milhões de mortes sejam prevenidas anualmente pela vacinação. Adicionalmente, existem múltiplos fármacos que tratam doenças, desde uma simples constipação até uma pneumonia. Em 2024, as farmácias portuguesas venderam cerca de 193 milhões de embalagens de medicamentos, entre produtos sujeitos a receita médica e fármacos de venda livre, movimentando aproximadamente 3,4 mil milhões de euros, segundo dados da Informa D&B. Dentro do segmento sujeito a receita, continuam a dominar os fármacos usados no tratamento de doenças crónicas, em particular patologias cardiovasculares e metabólicas, como a hipertensão e a diabetes, de acordo com os relatórios de mercado da HMR.

Desde a filtragem de sangue com o objetivo de remover microplásticos do sangue de Orlando Bloom, até à promoção de dietas baseadas no consumo de 14 frascos de comida de bebé por dia pela  treinadora de celebridades Tracy Anderson, milionários interessados em temas como a longevidade é algo que já se discute há bastante tempo. No entanto, Bryan Johnson, com o lema “Don’t Die”, é o que se destaca devido à sua rotina única, que é vista pelo público de forma maioritariamente negativa. Johnson investe diariamente milhares de dólares para otimizar a sua vida com o objetivo de poder viver com longevidade e qualidade de vida, tendo já realizado transfusões de plasma, utilizado de rapamacina para efeitos de longevidade e recentemente a utilização de cogumelos alucinogénicos.

Bryan Johnson pratica uma restrição calórica de 10%, consumindo cerca de 2250 calorias por dia. Ensaios como o CALERIE, um estudo randomizado de 2 anos em adultos saudáveis, mostraram que uma restrição calórica moderada (cerca de 10% a 15%) melhora o perfil cardiometabólico e é capaz de desacelerar a velocidade de envelhecimento medida por testes como o , um biomarcador epigenético, derivado de marcar químicas (metilação) no ADN das células sanguíneas. Isto sugere que a estratégia de restrição calórica moderada adotada por Bryan é coerente com a evidência disponível. No entanto, ainda não existem provas de que tal intervenção aumente realmente a longevidade em humanos.

Um dos tratamentos que se tornou mais eficaz, segundo Bryan, foram as sessões de terapia de oxigénio hiperbárico, que envolve a inalação de 100% oxigénio dentro de uma câmara pressurizada. De acordo com o o estudo de caso realizado pela HPO.TECH, esta terapia resultou na redução profunda na inflamação sistemática (hsRCP), e na melhoria da  formação de novos vasos sanguíneos e da oxigenação dos músculos.

A filosofia de Bryan Johnson troca as práticas místicas por métricas. Segundo o empresário, o ser humano deve analisar, ajustar e otimizar o seu corpo ao pormenor, tratando-o como um sistema complexo. Deste modo, cada decisão é guiada apenas por dados, tais como biomarcadores, exames, entre outros. Bryan considera que existe, espiritualmente, um desapego do ego, um autocontrolo e uma disciplina absoluta, chegando a afirmar mesmo que a nossa mente é a principal causa dos erros que nos conduzem à morte, e que devemos, assim, entregá-la a um “algoritmo”.

 

Artigo redigido por Vasco Martins. Revisto por Joana Ribeiro da Silva.