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Cultura

BODY TRANSMISSION- MÁQUINA. O corpo transmite o que a boca não tem coragem de dizer

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No passado 10 de julho, o trio lisboeta MÁQUINA. apresentou, depois de dois anos, o seu novo álbum, BODY TRANSMISSION, que se encontra disponível em todas as plataformas digitais e em formato físico. Numa entrevista exclusiva ao JUP, em fevereiro deste ano, onde revelaram que este álbum seria “ a experiência mais parecida a um concerto ao vivo”.

MAQUINA. apresenta “dança (ft. Dame Area)”, o novo single do ...

Halison, João e Mendy- MÁQUINA. (Fonte: https://fuzzclub.com/blogs/news/new-music-maquina-body-transmission)

Para a leitura deste artigo, recomendo a audição simultânea do álbum.

Descrito como “ a headbanging trip through high-energy noise-rock, motorik metal, and industrial punk that doesn’t stop moving” (Bandcamp, 2026), o terceiro álbum da banda conta com 10 novas músicas, incluindo uma colaboração com a dupla catalã Dame Area. Este álbum marca uma nova etapa da banda. A “repetição contínua” sempre esteve presente, mas agora, ela é a chave para que o corpo consiga transmitir exatamente o que cada pessoa sente ao ouvir o álbum. Transmitindo todas estas sensações através de uma dança interminável num transe existencial.

Fugindo às suas origens de longas músicas de 10 minutos onde a banda tende a tocar quase sem edição, numa sensação crua e num crescendo culminar de emoções que demora o seu tempo a ser desenvolvido. Nesta nova apresentação optaram por focar na edição das suas músicas novas e compactar o seu som entre 3 e 4 minutos, cortando assim todo o tempo destas emoções se desenvolverem e obrigando-as a sair, sem pedir por favor.

Olhando brevemente para algumas músicas presentes neste álbum, obrigatoriamente teremos de começar com “dança”, uma música já muito familiar para os fãs e que entra “a rasgar” neste álbum. Com uma batida quase cardíaca, composta pela bateria de Halison, a melodia da barulhenta guitarra de João Carvalheiro e dos sintetizadores de Viktor L. Crux dos Dame Area, as vozes gritantes de Halison e da italiana Silvia Konstance, também dos Dame Area, e pelo icónico e central baixo de José Mendy que dispensa apresentações, esta é a entrada que derrubou todas as portas que estavam por abrir. Quando pensávamos que nada poderia ficar mais intenso do que o que é esta primeira música, somos abalroados por uma transição que flui como o nosso sangue a ser bombeado para o corpo, a grande diferença é que aqui somos apresentados a “4-to-the-floor”, uma continuação da música anterior mas onde tudo fica mais intenso, as batidas parecem mil pés a bater ao mesmo tempo, os riffs ficam mais pesados e quando acaba parece que já não resta energia para continuar.

Felizmente, ainda restam 50 minutos de batidas intensas, guitarras que fazem sons que não fazem sentido existirem e um baixo que marca o passo de maneira incansável, como se a cada música a sua presença fosse cada vez mais pronunciada e dissesse “Quem manda aqui sou eu”.

Para terminar esta breve análise do álbum, irei apenas mencionar as músicas “Bizarro”, que é oficialmente a primeira música da banda escrita em português, e “Agony”, descrita como “um relâmpago carregado escrito durante os tempos atuais de intenso conflito global”. Halison reflete que esta música “É sobre o discurso adulterado que os políticos sempre tentam incentivar, seja com um adversário ou algo do género, para distrair todos daquilo que eles realmente querem fazer.” 

Com este novo lançamento, a banda anunciou também uma tour europeia que irá iniciar em Viseu e irá passar por cidades como Madrid, Barcelona, Toulouse, Rennes, Paris, Zurique e muitas mais. Propagando assim toda esta contínua repetição por toda a Europa.

Referências

BODY TRANSMISSION. (2026, Julho 10). Maquina.

https://maquinaponto.bandcamp.com/album/body-transmission

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