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Ciência e Saúde

Consulta do viajante: a viagem começa aqui

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Fonte: Public Domain Pictures

A Medicina do Viajante evoluiu de um serviço restrito para uma rede acessível a todos no setor público e privado. Realizar esta consulta antes de partir é o passo essencial para garantir uma viagem segura e proteger a saúde pública global.

A Medicina do Viajante tal como a conhecemos hoje, estreou-se em Portugal no final dos anos 90, impulsionada pela crescente mobilidade das populações, mais especificamente pela onda de emigração que assolava o país. Esta situação veio acentuar a necessidade de consultas pré viagem, mas também de uma infraestrutura robusta e disponível de tratamentos e diagnósticos atempados de doenças menos frequentes em Portugal.

Com início em apenas dois centros pioneiros, o Hospital Egas Moniz em Lisboa e o Hospital Central da Universidade de Coimbra, a Medicina do Viajante está, hoje, à distância de um clique ou de uma curta viagem. No setor público, as consultas do viajante estão centralizadas em Centros de Vacinação Internacional (CVI) localizados ao longo de todo o país, principalmente em hospitais e unidades de saúde pública. Fora do SNS, a alternativa passa pelas consultas do viajante em hospitais e clínicas do setor privado ou através de plataformas de telemedicina.

Perante a realidade atual, obrigada a enfrentar um aumento exponencial da população e uma crescente vaga de mobilidade global, viajar para um novo destino internacional acarreta diversos riscos para a saúde, relacionados com a exposição a novos agentes transmissores de doenças, novos ambientes, bem como clima e altitudes distintos. No entanto, estes riscos podem ser minimizados se as medidas preventivas forem adotadas corretamente. Deste modo, a consulta do viajante deve ser parte integrante do planeamento de viagens, principalmente se o país de destino estiver localizado fora do continente europeu, América do Norte e Oceânia, onde a necessidade destas medidas é significativamente acrescida.

Na consulta, preferencialmente agendada 1 a 2 meses antes da viagem,  é realizada uma avaliação de risco individual e são fornecidas informações sobre os riscos associados e a sua gestão através de medidas preventivas a adotar antes, durante e após a viagem, com base no destino, tempo da estadia, atividades programadas, assim como o perfil e estado de saúde do viajante. De um modo global, no que concerne às medidas, estas estão relacionadas com a recomendação e prescrição das vacinações indicadas para a viagem ou toma preventiva de medicação, higiene individual e cuidados a ter com a água e alimentos ingeridos no destino, aconselhamento e prescrição da farmácia do viajante, e pontos de assistência médica recomendados no local de chegada. Além disso, a consulta oferece mais uma oportunidade para relembrar aos viajantes práticas básicas de saúde e segurança durante a viagem, incluindo a lavagem frequente das mãos, o uso de cintos de segurança, o uso de cadeirinhas para bebés e crianças, o uso de capacete ao andar de motociclo ou bicicleta, práticas sexuais seguras e a prevenção de doenças transmissíveis.

Vacinação: Procedimento fundamental para a imunização ativa contra patogénicos endémicos ou de alta prevalência no país de destino. Fonte: Executive Digest – SAPO, sob licença CC BY.

Assim, e apesar de todos os viajantes deverem considerar a realização da consulta, esta assume uma importância ainda mais relevante quando os destinatários são grávidas, crianças, idosos ou indivíduos com doenças crónicas.

Ademais, a consulta pré-viagem tem também um propósito de saúde pública, ajudando a limitar o papel que os viajantes internacionais podem desempenhar na disseminação global de doenças infeciosas, pelo que ignorar a consulta pode potenciar a exposição a riscos evitáveis.

A Medicina do Viajante deixou de ser um recurso de acesso limitado para se tornar um pilar essencial e amplamente acessível na preparação de qualquer viagem. Mais do que uma precaução individual para garantir uma estadia sem sobressaltos, esta consulta é um ato de responsabilidade coletiva.

 

Artigo redigido por Anabela Pereira. Revisto por Joana Ribeiro da Silva.

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