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Cultura

CASA DA MÚSICA “ABERTA” PARA TRIBUTO A MILES DAVIS

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A segunda noite de “Casa Aberta” de 2018 contou com o concerto Miles Davis Legacy, no Café Casa da Música: uma homenagem à altura do mestre do jazz levada a cabo pelo projeto The Legacy, conduzido pelo trompetista Gileno Santana e que reúne José Mortágua (saxofone), José Pedro Coelho (sax tenor), José Carlos Barbosa (contrabaixo), José Marrucho (bateria) e José Diogo (piano).

“Nós até estávamos a brincar que tivéssemos elementos no público que viessem enganados e que pensassem que era mesmo o Miles Davis que vinha tocar, e daí tanta participação”, disse, ao JUP, José Carlos Barbosa, o contrabaixista do sexteto.

A forte adesão do público tinha deixado adivinhar-se na promoção do evento online, e confirmou-se quando se atingiu o dobro da lotação do Café Casa da Música ainda antes do início do concerto: “Já sabíamos através do Facebook que havia muita gente interessada; mesmo assim, foi uma surpresa”, revela o contrabaixista.

Quem também surpreendeu os músicos do projeto Miles Davis Legacy – que viu, nesta quinta-feira, a sua reedição – foram os espectadores do exterior, que, não podendo entrar no Café, se deixaram ficar no pátio da Casa da Música. Valter Ramos foi um deles: “Cheguei às 21h45 e já estava completamente cheio; não conseguimos entrar. Então ficámos aqui a conversar”, disse ao JUP.

Houve até quem se encostasse aos ventiladores da fachada, para conseguir ouvir traços do álbum mais aclamado de um dos músicos determinantes da História do jazz.

Kind of Blue, lançado em 1959, imortalizou Miles Davis como trompetista e afirmou o jazz moderno nos gostos do público, sendo o álbum mais vendido de sempre no género. No seu quinquagésimo aniversário, em 2009, foi remasterizado e a ele adicionadas faixas exclusivas, gravadas por Miles Davis e pela sua banda antes da edição original, que não tiveram lugar no álbum.

Em 2018, Kind of Blue voltou a ouvir-se, ao vivo, na Casa da Música, de portas abertas, e não dececionou o público, de ouvidos abertos e palmas sempre prontas a rematar o final de cada peça. Cristina Silva foi outra das espetadoras que não teve lugar no Café durante o concerto. “Só consegui ouvir os dois últimos temas”, disse ao JUP; no entanto, “do que ouvi, gostei muito. Gosto muito do Miles Davis, e já conhecia o Gileno Santana, gosto do trabalho dele”. Já Adriana Magalhães conseguiu assistir ao concerto nas primeiras mesas, ainda que apenas ouvindo: “Ver, não conseguimos. Podiam dispor o espaço de forma a que fosse possível mais pessoas verem – chegámos com uma hora de antecedência – mas gostei imenso do concerto, acho que teve imensa qualidade”.

O projeto The Legacy foi pensado por Gileno Santana, trompetista principal da Orquestra Jazz de Matosinhos que lançou o seu primeiro álbum a solo em 2014, onde colabora com José Carlos Barbosa, também presente neste projeto. “São todos amigos meus, todos colegas da ESMAE (Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo)”, contou ao JUP, tendo daí partido a ideia de reunir os músicos e homenagear o mestre trompetista.

Confrontado com a enchente de público, Gileno revelou que “só quero saber se o som estava bom e se as pessoas gostaram. Foi ótimo, estou feliz”. Este não foi o primeiro tributo da super banda aos super músicos do jazz, nem será o último – “este projeto vai continuar”, revela Gileno. “Há uma proposta para o HotClub”.

A Casa da Música abre, até 21 de janeiro, as suas portas a concertos, exposições, sessões de dança, ensaios, filmes e visitas guiadas a custo zero. O programa recheado conta com atividades das 10h00 às 22h00, até domingo.