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Opinião

Necessidade ou desejo? – O consumismo, a Black Friday e as festas de fim de ano

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Imagem: Karolina Grabowska (Pexels)

Com a chegada das festas de fim de ano, o aumento do consumo é cada vez mais intenso e evidente. No entanto, isso nos leva a refletir se esse consumo excessivo é uma ação justificada ou não, bem como qual é o seu impacto no ambiente e na sociedade em que vivemos.

Quando surgiu, a “Black Friday” representava somente uma subida nas vendas que as lojas e centro comerciais registavam por conta da proximidade às festas de fim de ano. Já nos dias de hoje, o termo evoluiu e representa quase que um novo feriado, uma nova etapa no fim de ano. Ofertas, descontos, promoções, são algumas das palavras para caracterizar esses últimos dias do mês de novembro. Eventualmente, com a extensão dessas promoções através do “Cyber Monday” (onde podemos desfrutar dos saldos online pelas plataformas digitais das empresas), o incentivo ao consumo nesta época é cada vez maior.

A realidade é que as compras em si não são o problema, desde que sejam feitas de maneira consciente. O problema começa a surgir quando compramos somente pelo prazer de comprar (apesar de não haver necessidade) ou somente porque o artigo está em promoção. Além de estimular a produção de mais peças e produtos de consumo rápido (quase sempre de baixa qualidade), estamos provocando também um aumento da poluição do meio ambiente e dos resíduos descartados ou incinerados em aterros sanitários. Todo o processo, desde a produção até a chegada do produto comprado, principalmente quando se tratam de roupas ou produtos eletrónicos, emite toneladas de gás carbónico na atmosfera terrestre e geram toneladas de resíduos de embalagens, de plásticos e microplásticos e de produtos que são descartados porque não serão mais utilizados.

É compreensível que a mudança de hábitos, costumes e tradições seja uma decisão difícil, mas infelizmente nos dias de hoje, é extremamente necessária. No Natal, por exemplo, a troca de presentes é uma das tradições mais difíceis de alterar e adaptar. Mesmo assim, podemos optar por não comprar um artigo aleatório ou com pouco valor sentimental e elaborar um presente mais pessoal e personalizado para aqueles que nos são mais próximos. Outra alternativa que também nos ajuda a economizar e evitar o consumismo da época é a troca de presentes somente entre pessoas mais próximas ou o famoso “amigo secreto”.

Muitos podem argumentar que não adotam essas mudanças porque podem ser vistas como pouco educadas ou de pouca consideração com os nossos entes queridos, mas também temos que levar em conta o meio ambiente e as consequências de nossas próprias ações enquanto indivíduos numa sociedade.

Além de todos esses fatores, também devemos levar em conta outro aspecto: a honestidade. Por que continuar fomentando um dia como a Black Friday, quando na realidade, muitas das lojas não são honestas com os próprios compradores? Mentir sobre os preços, sobre a qualidade ou até mesmo sobre o processo de produção se tornaram atitudes normalizadas e as empresas se aproveitam da ignorância dos compradores e lucram com isso.

Bom, mas aonde quero chegar com toda essa informação? A verdade é que meu intuito é simplesmente trazer uma reflexão e conscientização ao leitor. Não podemos deixar que os anúncios e todo o ritmo do consumismo nos influencie a tomar decisões equivocadas. O melhor a se fazer é analisar as nossas verdadeiras necessidades e comprar conscientemente, levando em conta sempre outras opções mais sustentáveis. Por fim, termino o artigo com uma citação interessante de ser compartilhada, já que ilustra uma possível solução para tanto desperdício: “Um sistema económico circular – em que produtos reparáveis de longa duração são a norma e os recursos são mantidos, reutilizados ou reciclados para usos de alta qualidade – é a maneira de evitar esse desperdício desnecessário.” (Universidade de Leeds, 2019).

Artigo da autoria de Giulia Ilha

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