Opinião
Entre o humano e o (Des)Humano: Miguel Dinis na Casa da Música
No passado dia 26 de fevereiro, às 21h30, o café da Casa da Música do Porto recebeu Miguel Dinis para um concerto de entrada gratuita.
Miguel Dinis, fundador da Bunker Records, começou por brincar com o público que não estava à espera de ter tanta gente na plateia, estabelecendo desde logo o tom do concerto — casual, íntimo, uma conversa musical.
O artista, que lançou o seu primeiro álbum “(Des)Humano” em maio de 2025, incluiu todos os presentes na conversa, sem demora, na segunda canção, Apaixonar. E foi assim que o café se encheu de música, numa experiência coletiva, que durou cerca de duas horas.
De seguida, Miguel desvendou as suas influências musicais, com uma interpretação de Jura, de Rui Veloso, que revelou ser o seu “ídolo”. Referências essas que passam também por nomes como MARO e Tiago Bettencourt — evidentes nas letras vulneráveis e composições que as complementam, bem como no formato de quarteto do seu álbum (à semelhança do “hortelã” da MARO).
Seguiram-se vários temas de “(Des)Humano”, num alinhamento que, juntamente com o jogo de luzes, em tons profundos de roxo e vermelho, envolvia a banda numa atmosfera quente e quase confessional. Entre temas, destacaram-se Duas Almas Magoadas, pela sua beleza em cru, e Saudade, que, segundo Miguel, nasceu de um improviso num concerto acústico.
Apresentado o álbum, a banda tentou sair do palco, mas o público tinha outros planos e pediu encore, ao qual Miguel Dinis respondeu, não com uma, mas com três das suas composições, fechando o concerto com a sua música mais escutada Não Me Vais Deixar.
Resta ainda elogiar a banda, constituída por Manuel Dinis e João Cabral Campello, integrantes também da ‘Nunca Mates o Mandarim’, Hugo Bronze e Bruna Moreira, dona de uma voz verdadeiramente invejável.
Para quem gosta de música ao vivo — e mesmo para quem já tem o orçamento mensal bem contado — há boas notícias: não é preciso mexer nas contas para marcar presença no próximo concerto no café; no dia 12 de março, às 21h30, sobem ao palco Carlos Raposo e Alexandre Manuel Pinto.
Texto por Sara M. Silva