Cultura
Rafael Toral no arranque do segundo aniversário do Radioclube Agramonte
Habitámos as paisagens sonoras de Rafael Toral no passado dia 12 de fevereiro, num dos estabelecimentos mais ativos da cena musical portuense, o ainda “jovem” Radioclube Agramonte. Na primeira noite d’O RCA faz dois anos, o público teve o privilégio de se afundar numa sessão de profunda espacialidade com o artista português, dos mais aclamados nomes do ambient e drone em Portugal e, sem dúvida, uma referência também no estrangeiro.
- Rafael Toral | Fotografia: Inês Aleixo (@0xiela)
- Rafael Toral | Fotografia: Inês Aleixo (@0xiela)
A sala principal do RCA depressa se encheu de pessoas, que curiosamente se foram sentando de forma voluntária no chão quando Toral subiu ao palco. Como que num púlpito, o artista deu início ao concerto: um maestro das melodias, ora assombrosas, ora doces, que iriam ecoar pelo espaço. Com apenas uma guitarra nas suas mãos, o auxílio de um arsenal de pedais e sintetizadores foi essencial para obter um som orquestral rico em nuances, que demonstrou desde logo a sua mestria sobre o instrumento e as suas potencialidades. Este ambiente colou as pessoas à performance, num silêncio sepulcral até ao último resquício de vibração sonora, logo seguido de uma ronda de aplausos calorosos no final de cada música.
- Rafael Toral | Fotografia: Inês Aleixo (@0xiela)
- Rafael Toral | Fotografia: Inês Aleixo (@0xiela)
Os seus mais recentes lançamentos assumiram o papel principal na atuação. Spectral Evolution (2024) e Traveling Light (2025) são dois testemunhos da sua capacidade de experimentação e postura post-free jazz, com uma maior presença de dispositivos eletrónicos concebidos pelo artista, e aliados a uma diversidade de instrumentos, texturas e truques de modelação sonora verdadeiramente notórios. As reedições de Wave Field (1995; 2025) e Sound Mind Sound Body (1994; 2025), álbuns que lançaram a sua carreira na década de noventa, também fizeram jus ao seu legado e influência, infelizmente bastante mais valorizado pelo mundo, que propriamente no nosso país.
Uma projeção mística de natureza oscilante, da autoria de Henrik Ferrara, acompanhou toda a atuação quase imperceptivelmente, como um cenário camuflado para as faixas de Rafael Toral. E concluído o concerto, logo vieram os autógrafos nos seus discos, ou até simplesmente conversas informais entre o artista e membros da plateia, que naturalmente aproveitaram a oportunidade para conhecer um pouco melhor o músico.

Rafael Toral | Fotografia: Inês Aleixo (@0xiela)
Texto:
– Diogo Macedo Malcata
Título e fotografia:
– Inês Aleixo @ 0xiela (Instagram)