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Artigo de Opinião

Lista de Nomes e Números (X & Y)

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Introdução

Pensará o fiel leitor na abstração do título deste artigo. Na sua natureza particularmente informativa, insípida e calculista… A verdade é que esta é a face de uma lista. A cada termo adicionado, aproxima-se duma frágil e crua imagem daquilo que algures representará um sujeito. É cru, é frio, é… necessário.

Em poucos casos o ato inofensivo e trivial da fabricação de listas representou por si só, algo maior do que a soma das suas partes.  Ainda menos vezes, houve sequer a necessidade ou descaramento de discutir a sua essência. Todavia, começo o artigo a falar da complexidade humana e curiosamente de listas, porque houve pelo menos uma vez, em que uma lista teve em si todos os valores que como sociedade devíamos prezar e descrever às gerações seguintes. Escrevo este artigo porque, depois de muita espera espiritual e procrastinação, decidi ver um dos filmes que mais me recomendaram ao longo dos anos: “A Lista de Schindler”.

“A Lista de Schindler” é um drama histórico inspirado em factos reais, lançado em 1993 pelo realizador Steven Spielberg. É considerado uma “obra-prima” do cinema norte-americano, tendo sido nomeado para 12 Óscares e vencido 7, incluindo o Óscar de Melhor-Filme e de Melhor realizador.

Acredito que é tempo de recordarmos os factos descritos neste filme, assim como o seu passado, e, sobretudo, fazer um paralelismo com o presente.

História e Análise

Início

Passado na II Guerra Mundial, o filme acompanha de perto a evolução do tratamento dos judeus nos territórios ocupados pela Alemanha Nazi. O escalar de repressão, maltrato e maldade é-nos apresentado através do relato próximo das vivências das duas personagens principais da narrativa, Amon Göth e Oskar Schindler.

O filme inicia-se em 1939, com a ocupação alemã da Polónia e a criação do Gueto de Cracóvia, para onde os judeus são forçados a deslocar-se. Nesse contexto chega à cidade Oskar Schindler, um empresário alemão e membro do Partido Nazi, com intenções de explorar e enriquecer com a economia da guerra. Dessa forma, consegue abrir uma fábrica de utensílios metalomecânicos para uso do Exército alemão.

Sem experiência administrativa, Schindler conta com a ajuda de Itzhak Stern, um judeu ligado ao Conselho Judaico, que organiza a fábrica e a contratação de novos trabalhadores. Devido à campanha de perseguição e fecho de negócios da comunidade judia, a taxa de desemprego e pobreza entre o grupo disparou, fazendo dos judeus não só uma mão de obra extremamente atrativa:  além de barata, muito qualificada. Stern tem assim um pretexto muito válido para ajudar os membros da sua comunidade, em grande parte residentes do gueto de Cracóvia.

 

Figura 1 – Fabrica de Schindler  A LISTA de Schindler. Direção: Steven Spielberg. Produção: Branko Lustig, Gerald R. Molen e Steven Spielberg. Estados Unidos: Universal Pictures, 1993. 1 filme (195 min), son., p&b/color.

Gueto de Cracóvia

A situação, no entanto, escala com a chegada do comandante da SS Amon Göth. O futuro responsável pelo campo de concentração de Płaszów, e o principal executor local de outro momento impactante do Holocausto: o massacre do gueto de Cracóvia. Em março de 1943, marchavam os oficiais da SS e da Gestapo para o gueto com um objetivo em mente, “limpar a sujeira”. Desta forma, batiam de porta em porta, delicadamente, sem qualquer ameaça prévia ou assunto por resolver, perguntavam pelos residentes da casa, verificando a presença dos substantivos da lista, e simplesmente atiravam. Atiravam, sem silenciador, sem reação, sem remorso. A azáfama torna-se, desta forma, na perseguição caótica que o leitor imagina. E no final, poucos ficaram.

 

Figura 2 – Gueto de Cracóvia UNITED STATES HOLOCAUST MEMORIAL MUSEUM. Krakow: Key Dates. Washington, DC: USHMM, [s.d.]. Disponível em: https://encyclopedia.ushmm.org/content/pt-br/article/krakow-key-dates. Acesso em: 27 jan. 2026.

Schindler, que presencia o massacre quase na sua íntegra, fica profundamente impactado pela violência e desumanidade do ataque. Por isso, e com a decisão do governo de enviar os judeus restantes para campos de concentração (nomeadamente o campo de Płaszów onde chefiava Amon), Oskar negoceia com Amon Göth a hipótese de abrir a fábrica no próprio camp. Dessa forma, não só os tempos de deslocação diminuíriam, como também os custos. Superficialmente, razões que fariam do negócio mais fluído e, naturalmente, profícuo para ambos. Na sua raiz, no entanto, Oskar intencionava que o seu “campo auxiliar” fosse um Porto Seguro para os seus trabalhadores, salvaguardando-os da realidade infame que se vivia. Os campos, como reportado em vários livros e filmes, são o apogeu da desumanidade, a par com as maiores barbáries que se conhecem da nossa espécie. Os judeus eram tratados como mercadoria fora de prazo. Utensílios baratos cuja validade pertencia e gozava da “boa” vontade e humor dos oficiais. Aquilo que sub-repticiamente falamos como limites sociais atualmente, não se aplicava aos campos. Matar uma criança por “mero acaso”, mascarado obviamente por “desobediência” ou “dar um exemplo”, era algo corriqueiro e amplamente saudado. As regras eram inúmeras. Uma doutrina Hitleriana de “purificação” através do trabalho, da “ordem”, do “respeito”, materializando-se claro, em famílias separadas por género e idade, deixadas ao acaso quase sem roupas, numa pocilga onde doenças proliferavam, onde dormiam em matriz como porcos num chiqueiro à espera da hora, onde trabalhavam mecanicamente na ínfima esperança de haver alguém que os salvasse. Na esperança de que os oficiais tivessem um pingo da moralidade que vendiam, e dessem a benesse da vida àqueles que se esforçavam em prol “do regime”. Uma espécie de esperança meritocrática. Tudo, apenas para, arbitrariamente, numa manhã qualquer de um dos muitos dias, enquanto picavas o chão e gastavas os braços flácidos e malnutridos, um bando de oficiais (ou Amon, de cuecas da sua varanda) decidirem que “era a hora certa”. E a sangue-frio, ficarias estendido no meio do campo, enquanto os oficiais ririam, pensando apenas no cansaço do pouco sono, quem sabe devido às festas regulares onde se aproveitavam dos corpos de mulheres judias como propriedade própria, ou talvez, apenas talvez, a pensar na mesa recheada que iriam ter ao almoço. Felizmente, a construção da fábrica garantiu àqueles trabalhadores a fuga do campo principal, da sua arbitrariedade de humores e das suas regras Hitlerianas. O mesmo não se aplica a, literalmente, todos os outros.

 

Figura 3 – Campo de Concentração de Plaszow PLASZOW. In: WIKIPÉDIA: a enciclopédia livre. [S. l.]: Wikimedia Foundation, 2024. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Plaszow. Acesso em: 27 jan. 2026.

Solução Final

Todavia, com o avanço da guerra, o governo alemão decide avançar com a “solução final”, através do envio dos restantes judeus para o campo mais conhecido da Alemanha Nazi e do Holocausto, Auschwitz. Schindler, motivado por um desejo impagável de salvaguardar a segurança dos seus, negoceia com Amon a transferência de seus trabalhadores para uma nova fábrica em Brünnlitz, na Morávia. Essencialmente, negoceia a compra de cada um dos trabalhadores “à cabeça”. Dessa forma, realiza com Stern a famosa “Lista de Schindler”, uma lista com os nomes de cerca de 1100 pessoas, entre os quais familiares próximos dos trabalhadores. Amon, que julgava em Oskar um “fiel Nazi, repudiador de judeus e justo explorador de mercadorias”, aceita a proposta, enviando para a Moravia várias carruagens cheias de pessoas. Amon nunca percebe, apesar dos esforços de Oskar em vender a ideia da “mão de obra experiente” e “não ter de ensinar novamente as funções”, o porquê de Oskar querer tantos “aqueles” trabalhadores, dada a facilidade que era ensinar outros “jovens” e “úteis” espécimes. Nunca sequer lhe ocorre que o determinante “aquele” requer um sujeito. Para ele, o número era importante. Inclusive, acredito que um observador isento facilmente perceberia a constante de Oskar ao longo do filme: contratar apenas judeus, querer” aqueles” judeus, não ter apoio de oficiais na fábrica… Era facilmente investigável uma narrativa de Oskar tentar “ajudar” ou “salvar” aqueles judeus do seu fado. Mas o que se percebe, é que a perspetiva de Amon da realidade era demasiado distante da do fiel leitor, ao ponto de nem lhe ocorrer que alguém de alto crivo como Oskar, membro do partido Nacional Socialista, pudesse alguma vez equacionar proteger inimigos do estado. Digamos por outras palavras, que alguém do seu “nível” nunca se misturaria com causas “ignóbeis” como essa.

Mas, continuando, apesar de alguns contratempos, nomeadamente a partida de algumas carruagens para o campo de concentração de Auschwitz, graças ao afinco de Oskar grande parte dos 1100 trabalhadores acabaram na fábrica, alojada ao sul da Polónia.

Figura 4 – Campo de Concentração de Auschwitz THE NATIONAL WWII MUSEUM. The Nazi Concentration Camp System. New Orleans, [s.d.]. Disponível em: https://www.nationalww2museum.org/war/articles/nazi-concentration-camp-system. Acesso em: 27 jan. 2026.

Fábrica de Schindler

Durante os últimos meses da guerra, Schindler gasta o resto da sua fortuna (depois da já fortuna gasta na compra das vidas dos trabalhadores) em subornos aos oficiais da SS e da Gestapo, assim como, a assegurar a improdutividade da fábrica, de forma a não contribuir para o esforço militar alemão na guerra. O “campo” de Schindler torna-se num espaço moderadamente livre, onde os trabalhadores puderam explorar algumas das suas crenças e onde a repressão era quase nula. Os oficiais alocados gozavam de pouca autoridade (e também de bolsos cheios). Curiosamente, torna-se numa espécie de “Oasis” quando comparado com as condições em que viviam os restantes membros da comunidade, em qualquer outro lugar.

Com a derrota da Alemanha em 1945, Schindler fecha a fábrica e decide fugir das tropas aliadas, que o iriam perseguir devido às suas ligações próximas ao partido Nazi. Desta forma, despede-se dos seus trabalhadores, aqueles que, em grande parte, o acompanhavam desde o início da guerra, e que felizmente ele conseguiu salvar de um fado diferente.

Figura 5 – Fábrica de Schindler na Morávia BRNO DAILY. Holocaust museum to open in former Schindler factory in Moravia on 10 May. Brno, 24 abr. 2025. Disponível em: https://brnodaily.com/2025/04/24/news/holocaust-museum-to-open-in-former-schindler-factory-in-moravia-on-10-may/. Acesso em: 27 jan. 2026.

Conclusão

Antes de partir, num dos momentos mais significantes do filme, os trabalhadores decidem entregar-lhe uma carta assinada por toda a equipa e um anel com a frase do Talmude: “Quem salva uma vida salva o mundo inteiro”. Nesse momento, Schindler reflete e desabafa sobre o que podia ter feito. Sobre as frivolidades a que se deu luxo, sobre os jantares, as roupas, o carro, sobre tudo aquilo que podia ter sido uma vida, uma cara, um amigo, um pai, uma mãe, um jovem, um abraço…. Aquilo que era tudo, indescritível por palavras, por termos adicionados numa lista. Aquilo que era, só e apenas, uma etiqueta que dizia: “700 Reichsmarks”.

O filme termina com a libertação dos judeus pelo Exército Vermelho e, num epílogo, mostra sobreviventes reais do Holocausto a homenagear Oskar Schindler junto à sua lápide em Jerusalém, reforçando o impacto duradouro e incomparável dos seus atos.

Figura 6 – Homenagem a Oskar Schindler MUSEU DO HOLOCAUSTO DE CURITIBA. Oskar Schindler faleceu em outubro de 1974… Curitiba, [20–?]. Facebook: MuseuShoaCuritiba. Disponível em: https://www.facebook.com/MuseuShoaCuritiba/posts/5591067027667155/. Acesso em: 27 jan. 2026.

E agora?

Passando ao propósito central deste artigo, ver “A Lista de Schindler” relembrou-me da beleza no ódio pelo trágico. Nos tempos em que imagens de pessoas malnutridas, de mulheres forçadas a prazeres ignóbeis, de crianças escondidas em fossas, era matéria digna de náusea, olhos lacrimejantes e revirar de expressões. Relembro com nostalgia a época em que este mesmo filme era visto como uma ode, não só ao cinema, como ao antro da humanidade. Temo que esses tempos sejam, no entanto, findos. A epidemia das listas, que nos levou ao colo pelas mais variadas “conquistas”, “bandeiras” e “nacionalismos”, retorna como um vírus resistente aos mais efetivos fármacos da medicina moderna.

A História recente da nossa espécie é um dicionário claro da nossa natureza. A ocorrência da 1º guerra foi objetivamente ser “a guerra para acabar todas as guerras”. Um termo propositadamente paradoxal, e que como sabe o fiel leitor, a única que acabou foi a própria. Criou tensões, reforçou discursos de ódio, as manobras políticas de dissuasão popular (na altura com uma taxa de analfabetismo enorme) melhoraram consideravelmente, e desta forma, apesar de na França e Inglaterra se viverem tempos nobres e de calmaria, em países como a Alemanha, Itália e Espanha nascia da insatisfação o que hoje denominamos como “fascismo”.

Perturba-me profundamente, para começar, a forma parca com que ou se ignora, ou se desvaloriza o significado desta palavra. O “fascismo”, mais do que uma ideologia, mais do que uma forma de agir e estar, representa um processo. Nenhum dos regimes previamente mencionados nasceram da aleatoriedade. Hitler e Mussolini, como resultado de instabilidade económica e social, rapidamente passaram a ter muito apoio popular, Franco ganhou a guerra civil espanhola com uma guerrilha composta em grande parte por membros do povo. Este termo não nasce aleatoriamente e danifica as instituições democráticas. Ele “é” o repúdio por essas instituições. É o afastamento da população dos mecanismos que a deveriam defender, do pensamento crítico e da discussão pública.

Explorando este tópico, esse afastamento origina-se de uma forma muito gradual. Começa com frases soltas, vagas e mais sentidas do que pensadas.

É normal ter desabafos variados: sobre a vida, sobre a saúde, sobre sentimentos não correspondidos, sobre expectativas não cumpridas. Mas a democracia e o “centro” residem justamente na capacidade das pessoas se aperceberem que nada é simples o suficiente para ser descrito em meia dúzia de termos separados e desconectados. Não é suposto a política ser agradável, deve ser real. Eventualmente, essas frases, termos e “realidades de café” originam uma narrativa fictícia. Sem grande reflexão ou provas dadas, usam-se esses mesmos termos da “lista de queixas” e criam-se ligações lógicas fracas e sem fundamento.

E, apesar de soar pernicioso, haverá algo mais confortável? Pensar que as nossas preocupações, azares pessoais, dificuldades financeiras, tudo reside numa causa uniforme, numa narrativa que justifica a nossa infelicidade. É tão mais fácil focar esforços. Porque o mal, claramente, não é a realidade complexa, a morosidade natural da aplicação de soluções construtivas ou, simplesmente, o absurdismo da vida. A causa dos meus, dos teus problemas, é “aquilo”. É a lista que nos persegue e que temos de combater.

Quando se cria esta narrativa, resta apenas um último termo na nossa lista. O “sistema”. Pergunto, ao fiel leitor, se sabe o que é o “sistema”? É deveras uma palavra lata, vaga, e vazia, mas é essa mesma abstração que a torna tão atrativa e curiosa. O sistema é tudo. E tudo é o sistema. O sistema é a realidade enraizada na narrativa que criamos. É o alvo final, é a justificação central que permite que todos os termos da nossa lista se organizem, se conectem tão logicamente. São os bem-falantes, aqueles que prometem novas políticas e novos horizontes, mas o sol nunca se põe. São aqueles que juram que a melhoria é gradual, quando, claramente, os problemas persistem. São as instituições públicas, esta fraca retórica do “centro” e da “discussão”, que acorrenta o povo e os oprime. São as próprias pessoas. Judeus, imigrantes, ciganos, políticos, asiáticos, africanos, latinos. São “eles”. Eles que te controlam, que meticulosamente, tornam a tua vida pior apenas pela sua presença. Essas “gentes” distantes e desligadas de nós. A única solução é a “força”, é alguém de “nós” tomar o poder. “Acabar com a bandalheira deste país”. Porque o sistema, as instituições, as pessoas e tudo aquilo que integra a minha “lista de queixas”, só assim serão derrotados.

Fiel leitor, descrita a forma curiosa como um cidadão comum acaba envolvido nesta retórica distante, falo da ligação central deste filme a tudo isto. É a insensibilidade. A indiferença como substrato máximo.  A mera falta de empatia. A tragédia das listas é reduzir tudo aquilo que nela se inclui a um valor, binário curiosamente. É reduzir matérias complexas a notas telegráficas de rodapé. Reduzir pessoas a um nome e a uma idade, a um sujeito imaginário com um rótulo de “bondade” ou “maldade”. E sobretudo, tratar grupos de pessoas, como meros erros de cálculo e estatística, bens necessários aos nossos fins, reais ou fictícios.

Repare, vemos imagens de conflitos, de crianças a chorar a morte dos seus entes queridos, e opinamos, de forma calculista e estratégica, o destino dos indefesos, distantes e apáticos, com a leviandade que os assuntos não merecem. Olhamos países como substantivos, meras representações figurativas num mapa sobrepostas por um número alusivo à população.  Discursos sensacionalistas, ódios focados, ameaças e frases desmentidas, tornaram-se num mero detalhe matinal, num acontecimento tão notável como a vitória da “bola mexida” ou, quiçá, o lançamento de uma nova temporada de telenovela. Fiel leitor, não acha absurda a falta de agulha moral?

O fim da 2º Guerra Mundial trouxe algo poucas vezes presenciado ao longo da história. A percepção que estávamos errados. A realização que nem tudo era admissível, que existem limites. O reconhecimento que a destruição, o caos, o próprio “Holocausto” não surgiram “numa manhã qualquer de um dos muitos dias”. Foram gradualmente criados, plantados na mente do povo, no seio das instituições, até ser demasiado forte para se ignorar.  Plantados com narrativas imaginadas, com medos, com grupos, com pessoas. Plantados com listas, listas infindáveis de ódios e tremores.

Por essa razão, recordo e aconselho ao fiel leitor: veja “A Lista de Schindler”. Valorize a beleza do ódio pelo trágico, o valor da inquietude, da sensibilidade. É suposto revirar-lhe a espinha, faltar-lhe as palavras, quiçá largar uma lágrima ou duas. É um filme mordaz. Um filme real, com causas reais, que nos alerta para o rasto da tempestade, e, mais importante ainda, para os ventos que a trouxeram.

O maior amigo e inimigo do estado democrático é o eleitor, é o fiel leitor. Por isso, não alimente os medos, as narrativas vazias que pairam sobre os ares deste país. Porque se alimentarmos as listas dos nossos dias, algo maior se alimentará delas.

Dia Internacional da Lembrança do Holocausto – 27/01/2026

Miguel Rodrigues

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