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Sociedade

“My body”: corpo e sociedade

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Emily Ratajkowski, a atriz, modelo e ativista britânica publicou o seu primeiro livro intitulado de “My Body”.  O livro publicado no final do ano passado são 256 páginas de relatos íntimos sobre o que é ser mulher e a sexualização do corpo feminino.

Foto do instagram @emrata

O grande mote de “My Body” é a dualidade entre usar o corpo como ferramenta de trabalho e se ser feminista. Emily diz que quando era nova pensava que a única maneira de ser sucedida enquanto mulher era através de ser desejada e isso mudou:

“Eu sempre fui desejada e o único momento em que me senti poderosa foi a escrever este livro. Foi a primeira vez em que tive controlo completo sobre o que estava a fazer.”

Especialmente enquanto modelo, Emily sentiu várias vezes que não tinha controlo sobre o seu corpo e imagem, sentiu a contradição entre ter poder, dinheiro e fama e ao mesmo tempo não ter controlo. Com o livro quer ensinar às mulheres de todas as idades que podem dizer “Não” e que existem limites.

Sem uma receita mágica para o fim do patriarcado, palavras da própria, Emily deseja com este livro tentar mudar a mentalidade machista do mundo em que vivemos, através da perceção e da mudança das pequenas ações e pensamentos machistas do nosso dia-a-dia.

“I was not protected. Agencies worry about the clients and teach the models that they are replaceable. And that’s what I’m trying to change with the book, the small things. I think that’s the way to start the conversation. Teach girls to set boundaries and say no”. Emily Ratajkowski

O momento mais mediático e dito polémico do livro é quando Emily relata a sua experiência em Blurred Lines. Para contextualizar, Blurred Lines é uma música de 2013 do músico  Robin Thicke com a participação de T.I. e Pharrell Williams. Emily aparece no videoclipe com outras modelos de uma forma bastante sexualizada, tendo na altura surgido com bastante controvérsia. O videoclipe foi um momento crucial na sua carreia , uma vez que foi assim que se tornou conhecida pelo público em geral para além dos fãs da moda. Emily diz que se sentiu segura e que se divertiu durante as filmagens, mas houve um momento específico onde foi muito claro qual era a sua posição no estúdio. Segundo Emily, o músico Robin Thicke sem a sua permissão, apalpou-a. Foi aí que se apercebeu que era apenas uma modelo contratada que podia ser substituída. Foi aí que percebeu que apesar de ser o seu corpo ela não tinha controlo completo sobre o que estava a acontecer. Era bastante percetível quem mandava. É a partir do relato destas histórias que Emily quer ensinar e dizer às novas modelos e jovens mulheres que isto não é aceitável. Após ter amadurecido e crescido Emily quer, agora, contar a verdade sobre como é ser mulher e usar o seu corpo como ferramenta de trabalho.

O livro foi escrito em 2020 durante a quarentena e a primeira gravidez da autora, dois dos fatores que contribuíram para o período de reflexão que inspiraram a sua escrita. Aliás, Emily contou numa entrevista à British Vogue que quando começou a escrever não tinha o intuito de publicar um livro era, simplesmente, para organizar as suas ideias e exprimir os seus sentimentos.

Através da capa podemos, também, perceber que o livro é simples, cruo e com poucos filtros. A capa é apenas constituída pelo título e o nome da autora, sem imagens ou artefactos. A escritora que sempre foi conhecida pelo seu corpo desta vez, apesar do nome do livro ser “My Body” (“O Meu Corpo”), não quer que a sua imagem esteja diretamente associada ao projeto.

 

Escrito por Inês Couto Gonçalves.

Revisão por Beatriz Oliveira.