Ciência e Saúde
A solução que se tornou um problema: a resistência bacteriana aos antibióticos
Até agora vistos como a única solução para o tratamento das infeções bacterianas, os antibióticos, tem-se tornado num dos maiores problemas para aquilo, cujo o seu objetivo primordial era curar.
A atuação dos antibióticos
Produzidos por determinados microrganismos e tóxicos para outros, os antibióticos, nada mais são que medicamentos capazes de impedir o crescimento e, consequente, proliferação de bactérias, sendo responsáveis pela sua eliminação. Este tipo de medicamento não tem qualquer efeito sobre os vírus, tendo as bactérias como alvo exclusivo.
Os mecanismos por detrás da sua atuação, sobre estes microrganismos específicos, são diversos, sendo os principais a interferência com a estrutura da parede celular da bactéria, e inibição da síntese de diversos compostos essenciais ao normal funcionamento e/ou sobrevivência do alvo, como ácidos nucleicos, diferentes proteínas e as vias metabólicas, impedindo a sua multiplicação.
O problema da resistência
Apesar da descoberta, em 1928, por Alexander Fleming, da penicilina (o primeiro antibiótico) ter impulsionado a pesquisa sobre este tipo de medicamento e possibilitado o tratamento de doenças até então incuráveis, ela também criou um outro tipo de problema; a chamada resistência bacteriana, que cada vez mais preocupa os cientistas em todo o mundo.
Assim como a teoria do evolucionismo de Darwin nos diz que a evolução ocorre por seleção natural, ou seja, aqueles com as características mais favoráveis, graças à sobrevivência diferencial, sobrevivem e reproduzem-se transmitindo essas mesmas características à descendência, o mesmo ocorre com as bactérias.
Essa resistência pode ser adquirida de, pelo menos, três formas diferentes: modificações bioquímicas, mutações e aquisição de novo material genético. No que toca às alterações bioquímicas, a bactéria produz enzimas que inativam o efeito da droga no organismo ou também podem alterar o seu recetor alvo da droga, impedindo o efeito do antibiótico.
Estas alterações têm um grave impacto na sociedade, afetando vários setores, como o económico, o da saúde e o da agricultura. A resistência das bactérias aos antibióticos obriga a uma pesquisa intensiva para o desenvolvimento de novos antibióticos, o que requer um grande investimento monetário, para capacitar o tratamento de uma infeção que, há alguns anos, tinha tratamento eficaz. Mais ainda, novos antibióticos em desenvolvimento, poderão perder o seu efeito no futuro,. Este cenário obriga à criação contínua de novos fármacos, alimentando um ciclo vicioso, dispendioso e potencialmente perigoso, sem perspetiva de fim. A nível da agricultura, colheitas alvo de uma infeção, podem não só causar prejuízo económico, mas também colocar espécies em risco. O aumento da mortalidade também é uma consequência dessa mesma resistência.
Correção de hábitos
“Sem medidas urgentes, caminhamos para uma era pós-antibióticos, em que infeções comuns e ferimentos ligeiros podem voltar a matar.”, alerta a OMS.
Ao compreender as reais implicações da resistência bacteriana, torna-se importante adotar algumas medidas para evitar o agravamento deste problema de saúde pública. Os antibióticos receitados devem ser tomados de forma responsável e respeitando as indicações médicas. Suspender o uso do antibiótico antes do tempo indicado permite às bactérias ainda não eliminadas no interior do organismo e que não foram totalmente eliminadas, ganharem resistência a esse antibiótico, dificultando tratamentos futuros e contribuindo para o avanço da resistência bacteriana.
Artigo da autoria de Armando Santos. Revisão por Ana Luísa Silva.