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Opinião

A Vida que Ninguém Vive

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"Insta", Ilustração de Marco Melgrati (Reimaginada com IA)
A isto chamo “cair como nem um patinho”, na ilusão da “vida perfeita”, criada pelas redes sociais | Imagem: "Insta", Ilustração de Marco Melgrati (Reimaginada com IA)

Vivemos num tempo em que a exposição constante à vida dos outros se tornou parte da rotina diária. Antes mesmo de sair da cama, já somos atravessados por imagens de viagens, conquistas, corpos felizes, relações aparentemente perfeitas e agendas sempre preenchidas. A vida que ninguém vive, mas quer ver. 

As redes sociais transformaram-se num espaço onde múltiplas vivências se sobrepõem, criando um fluxo incessante de experiências alheias que consumimos quase sem perceber, como se fosse um hábito automático. No meio desse bombardeamento visual e emocional, torna-se cada vez mais difícil não comparar a nossa própria vida com aquilo que vemos no ecrã.

A sensação de estar sempre em falta — de não viver o suficiente, de não ser interessante o bastante ou de não corresponder a um ideal — passa a acompanhar muitos utilizadores.

É a partir dessa inquietação que este texto se propõe a refletir sobre o impacto das redes sociais na forma como percebemos a nós mesmos e aos outros, especialmente no que diz respeito à construção da chamada “vida perfeita”.

O bombardeamento de diferentes vivências

Não sei quanto a vocês, mas sempre que eu abro as redes sociais, principalmente o Instagram, deparo-me sempre com a mesma realidade. Inúmeros stories por ver, das contas que eu sigo, nas quais estão incluídas amigos e conhecidos meus. E, quando clico para os abrir, fico sempre com a sensação de que todos à minha volta estão sempre a fazer algo interessante e, digna de destaque, ao mesmo tempo que concluo que a minha vida e hábitos são monótonos e, sem qualquer semelhança com a dos outros.

A isto chamo “cair como nem um patinho”, na ilusão da “vida perfeita”, criada pelas redes sociais.

É verdade que as redes sociais têm as suas vantagens, como a possibilidade de contacto instantâneo, com qualquer pessoa, em qualquer canto do planeta, aproximando, desta forma famílias e amigos, ou até sendo uma mais valia para o mundo profissional. Todavia, não nos podemos deixar enganar, as redes sociais são sim prejudiciais e, quiçá, acabam por ter mais desvantagens do que vantagens, sendo esta da “vida perfeita”, alvo da minha crítica neste artigo.

A conceção de “vida perfeita” pelas redes sociais

Esta conceção de “vida perfeita” é isso mesmo, não passa de uma idealização criada pelo nosso cérebro. O que ele não nos diz, ou não nos permite perceber, é que o que as pessoas publicam nas redes sociais e, aquilo que nós vemos, usualmente, são os melhores momentos do seu dia ou da semana. Mas que, multiplicando pelo número dos nossos seguidores nessas mesmas plataformas, cria uma ideia falsa de que todos têm uma vida muito mais interessante do que a nossa, quando na verdade, escondem atrás dos likes, os verdadeiros e reais desafios da sua vida.

Tudo apenas, para tentar obter aprovação social.

A Vida que Ninguém Vive: Solução para o problema

Isto acaba por ter consequências nefastas, na saúde mental dos mais jovens, que por coincidência (ou não) são aqueles que mais tempo passam nas redes sociais. Por exemplo, esta distorção da realidade, pode levar à depressão ou ansiedade ou até mesmo a uma dificuldade em integrarem-se enquanto sociedade, uma vez que existe uma pressão para ser perfeito.

Portanto, a solução seria desinstalar todas estas plataformas e viver bem longe deste meio tóxico que são as redes sociais. Fim da história! Brincadeiras à parte, eu tenho plena consciência de que isso seria impossível, ou no melhor dos casos, muito difícil de alcançar, considerando o mundo conectado em que vivemos hoje.

Assim sendo, a solução mais racional é mesmo o autoconhecimento, para conseguirmos viver em harmonia connosco e sermos capazes de distinguir o real do irreal!

 

Texto da autoria de Armando Santos

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