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LOPETEGUI: RE(CONQUISTAR) O ESPÍRITO DA NAÇÃO

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João Martins

João Martins

Estamos perante o ano da mudança no FC Porto! Após uma temporada desastrosa (a todos os níveis) encontramos um novo, refrescado e reformulado Porto. A mudança, começa desde logo, com um novo patrocínio, a Warrior, e com esta novos slogans: “sempre preparados”. Na verdade, ao longo da história, o Porto simboliza isso mesmo, guerreiros que lutavam pelo bom nome da Muy Nobre e Sempre Invicta cidade do Porto.

Estamos perante uma evidente reformulação total no plantel e nos ideais de transferências. O Porto habituou-nos a comprar “barato” em mercados mais fracos financeiramente (mas cada vez com valores mais elevados), para mais tarde, formar e vender “caro”. Atualmente, vemos um Porto a apostar em mercados de enorme qualidade, de valor superior e que, em alguns casos, até mesmo apostar em empréstimos (até esta época era quase um dogma a proibição de negócios desse género). Esta mudança, já há 2/3 épocas se via ser uma real necessidade, resultado da partida de jogadores como Moutinho, James, Hulk e Falcão e à incapacidade de encontrar jogadores que pudessem render o mesmo e em simultâneo, entrar de imediato na equipa, nesses mercados periféricos.

O Porto de Lopetegui em contraste com o Porto de Fonseca, vai voltar ao sistema tático que Pedroto introduziu, o 4-3-3 com um triângulo 1-2, dois extremos e um ponta de lança. A mudança nas estratégias pelas ideias de Lopetegui, pelo pouco que se pôde ver até agora, será no trinco diferente dos últimos anos (Com o Polvo, Fernando) para passar a ter um jogador como Casemiro, que será mais um médio defensivo do que um trinco e que sabe construir jogo (deverá passar por ele o início da construção do processo defesa-ataque). Nos extremos, em vez do habitual das últimas temporadas, em que havia um extremo aberto e um “falso extremo” que caia para dentro, agora, serão dois extremos abertos e um ponta de lança móvel (e não fixo como também costuma ser o sistema do Porto). Nas outras duas posições do meio campo, haverá um puro número 10 por quem passará todo o “desenho” do ataque e um jogador que substitui o normal box-to-box, por um jogador que joga mais à frente no terreno, perto do 10 e que transporta a bola para o ataque e que também aparecerá em zona de finalizar (possivelmente Herrera). Na defesa, julgo ser notório que os laterais têm menos liberdade que na última época, ou seja, sobem menos no terreno. Facto que é explicado pela mudança na posição 6, quando Danilo e Alex Sandro subiam, tínhamos Fernando para fazer de terceiro central, todavia, Casemiro já não é esse jogador. Em relação aos centrais, parece-me que será Bruno Martins o companheiro de Maicon. Martins é um central forte e que sabe sair a jogar (um pouco à imagem de Mangala, mas talvez um pouco mais lento), por isso, creio ser o substituto natural no centro da defesa.

Daquilo que se já assistiu deste Porto, vemos uma equipa que aposta na posse e na circulação rápida da bola e que, consequentemente, procura o “lado vazio” com desmarcações rápidas e na transição em posse. No processo defensivo, vemos uma equipa que visa recuperar rápido a bola e sair em construção de posse. No entanto, neste atual sistema, devido à defesa alta do Porto, haverá a necessidade de o GR ser um pouco um 11º jogador de campo (à imagem de Neuer na seleção Alemã), que terá como missão, muitas vezes, intercetar bolas longe da sua área de conforto. Destaco ainda o facto de, no momento de finalização, o Porto procurar ter 6 homens na zona de ataque.

Como já referi anteriormente, uma das Grandes mudanças neste FC Porto é o seu plantel. Esmiuçando, sem dúvida que na última época tínhamos diversas lacunas, que passavam pela ausência de alternativa aos laterais, ausência de qualidade em alternativa aos Extremos, ausência de uma alternativa ao trinco…

Hoje, vemos um plantel totalmente diferente, com pelo menos 2 soluções VÁLIDAS por cada posição. Essa competitividade faz evoluir os jogadores, uma vez que, procuraram dar o máximo em cada treino e jogo para serem a primeira opção para o treinador.

Na baliza existe imensa qualidade, em que a Fabiano e a Helton juntamos um Ricardo que grandes épocas fez pela Académica.

Na defesa, as laterais estão apetrechadas com 2 grandes laterais brasileiros, Danilo e Alex Sandro. Opare, uma promessa do futebol mundial que tarda a passar para “certeza”. José Angel, um lateral esquerdo de grande qualidade, que grandes épocas fez ao serviço do Espanhol, Roma e Real Sociedade. No centro, temos Igor, um jovem jogador chileno que despertou atenção no torneio de Toulon, Maicon, um central muito seguro, Reyes, um jovem mexicano que ainda tem de amadurecer e Bruno Martins, o luso-holandês que acaba de fazer um enorme mundial.

No meio campo, contamos com Casemiro, um jogador que chega como campeão europeu e outrora contratado por Mourinho para o Real Madrid. Ruben Neves, um caso de sucesso da formação azul e branca que muito irá certamente dar que falar. Herrera, o craque mexicano que tardava em voltar a forma que mostrou durante os JO2012 e ao serviço do Pachuca e, neste mundial, foi uma das revelações. Quintero, uma das muitas jovens estrelas colombianas e que terá a sua espera um ano de afirmação no futebol europeu. Oliver, um amigo e fiel selecionado de Lopetegui nas seleções jovens Espanholas e que, a par de Quintero demonstra uma enorme maturidade para a sua idade e que creio ser um 10 com muito futuro. Evandro e Carlos Eduardo, os ex-estoril que podem ser opção em vários momentos da temporada.

Na frente o Porto reforçou-se de forma extraordinária como Adrian, um jogador na minha opinião muito semelhante a Villa mas que, marca menos golos. Cristian Tello, um “miúdo-maravilha” da escola do Barcelona. Jackson Martinez, melhor marcador nas duas últimas edições do campeonato português e que dispensa apresentações. Sami, um reforço que fez um bela temporada ao serviço do Marítimo. Brahimi o “mágico das fintas argelino” que na última temporada em termos estáticos foi o melhor “driblador” da liga espanhola com 5,1 fintas por jogo! E, claro, o Harry Potter e novo capitão de equipa Ricardo Quaresma!

O Plantel como Lopetegui referiu, não está fechado mas pelo menos em “nomes” será o melhor plantel de sempre do FC Porto. As vitórias fazem-se no campo e os títulos conquistam-se nos jogos é um facto! No entanto, com o investimento em qualidade e jogadores já formados que o clube está a fazer prevê-se uma época de muitos sucessos como o Porto habituou a sua massa associativa.

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1 Comment

1 Comment

  1. David Guimarães

    10 Ago 2014 at 19:39

    Excelente e completa análise João!
    A confirmar o comportamento dos laterais.
    Não falas em Kelvin, ninguém fala! O talento dele é imenso, não percebo porque não é aproveitado. Acho a contratação de Adrian escusada, sobretudo pelo preço.
    Não percebo o empréstimo de Ghilas um ponta de lança versátil, finalizador, móvel, forte na área, desmarca-se em largura e um profundidade.
    Bem deixo aqui as críticas para comentares, se possível num próximo artigo. Continua o bom trabalho!
    Um forte abraço

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