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Opinião

Para onde caminha a História?

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Nos séculos XVIII a XIX, as grandes teorias da Modernidade sobre o progresso defendem que a humanidade está a melhorar com o tempo, caminhando em direção à perfeição. Muitas vezes, os defensores desta associam-na à evolução tecnológica e à complexificação da organização das sociedades, por exemplo. Isto quer dizer que o tempo, uma das unidades básicas para a construção histórica, é tido como linear. À semelhança do que propõe a historicidade judaico-cristã, a teoria do progresso apresenta a necessidade e a finalidade como pilares da História. Falta, no entanto, entender qual é o “viveram felizes para sempre” da humanidade e qual é o motivo comum que move toda uma espécie para um mesmo fim.

De modo geral, penso que a teoria do progresso parte de uma visão ocidental do mundo. A expansão dos impérios europeus foi vista pelas lentes do pensamento iluminista (europeu) como a inevitável disseminação da tecnologia e dos avanços intelectuais para as regiões “subdesenvolvidas” do mundo. Isto coloca um entrave à universalidade que se procura encontrar sobre este assunto, negligenciando as contribuições de outras culturas e civilizações.

Além disso, a ideia de um caminho predestinado para o avanço contínuo, corre o risco de ignorar o papel do acaso, das contingências históricas e das múltiplas direções que os eventos podem seguir. A história é complexa e influenciada por uma série de fatores imprevisíveis, tornando difícil sustentar uma noção linear e teleológica de progresso.

Embora o progresso tecnológico e científico tenha trazido muitos benefícios para a humanidade, urge perguntar: O progresso tecnológico e científico não teve algumas consequências más? Fará sentido centrar a nossa história nestes domínios? Por exemplo, o desenvolvimento industrial e tecnológico acelerado contribuiu para a degradação ambiental, acentuação de desigualdades sociais e a exploração desmesurada de recursos naturais.

Não menos importante: há que tomar consciência de que o ideal de vida varia de pessoa para pessoa, de cultura para cultura. O conceito de progresso histórico é geralmente baseado em critérios definidos por determinadas culturas ou grupos sociais dominantes. Isso levanta questões sobre o relativismo cultural e a imposição de padrões e valores específicos sobre outras culturas. Avaliar o progresso apenas com base numa visão específica pode ser injusto e perpetuar a marginalização de determinadas perspetivas históricas.

Assim, a ideia de progresso com que somos bombardeados todos os dias é demasiado simplista para responder aquilo que a humanidade se tornou e construiu.

Sei que o tema não é novo, que as críticas não são novas. Não tenho por objetivo dar uma resposta definitiva a este problema que se debate há séculos. Penso que vai para além do que a reflexão individual pode alcançar. Ao invés disso, queria incentivar à meditação da parte do leitor sobre este tema.

Artigo da autoria de Beatriz Costa

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