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Política

PUSSY RIOT: AS VOZES DO PROTESTO

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Pussy Riot é um grupo de punk rock feminista russo que cruza a vertente musical com um movimento político contra o governo. A banda é composta por três mulheres: Nadejda Tolokonnikova, Ekaterina Samoutsevicth e Maria Alekhina.

O grupo nasceu em 2011, mas foi em fevereiro de 2012 que ganhou maior proeminência, após um concerto na Catedral de Cristo Salvador de Moscovo. As três mulheres, encapuçadas, improvisaram uma “oração punk” apelando à Virgem Maria para que tirasse Putin do poder. A banda acusou, ainda, a Igreja Ortodoxa de apoio ao Presidente Vladimir Putin, na altura candidato a um novo mandato como Presidente da República. Foi deste modo que a banda se tornou num símbolo anti-Putin.

Quando Putin foi eleito, o trio foi preso e acusado de “vandalismo motivado por intolerância religiosa”. Este caso acabou por dividir a Rússia: muitos sentiram que as Pussy Riot estavam a ser tratadas de forma muito severa, para que servissem de exemplo aos opositores do governo; outros acreditaram que as suas ações ofendiam a fé Ortodoxa.

As três detidas acabaram por ser consideradas prisioneiras de consciência pela Amnistia Internacional. Sting, Paul McCartney, Yoko Ono e Madonna foram artistas que levantaram a voz em defesa delas.

Ekaterina foi a primeira a ser libertada (outubro de 2012), tendo conseguido liberdade condicional; as outras duas foram transferidas para os Montes Urais, na Sibéria, para cumprir pena. Deveriam cumprir pena até março de 2014, mas o Presidente Putin permitiu que fossem libertadas três meses antes do previsto.

Esta amnistia, que permitiu a libertação de cerca de 1500 pessoas, foi vista por alguns críticos como uma “operação de cosmética” do Kremlin para melhorar a imagem da Rússia, dado que o país iria ser anfitrião dos Jogos Olímpicos desse ano. As próprias Pussy Riot, no dia em que foram libertadas, mantiveram o tom de desafio e criticaram Putin, afirmando que beneficiaram de uma “operação de charme” devido aos Jogos.

Nadejda Tolokonnikova, que enquanto esteve presa efetuou várias greves de fome com o intuito de denunciar as condições de detenção, afirmou que Putin as acusou “de protagonizar atos cínicos”. “Mas a realidade é que os seus atos hoje são muitos mais cínicos, ao libertar pessoas que não precisavam de ser libertadas. Poderia ter cumprido facilmente os restantes dois meses de pena. No entanto, ele recusou libertar aqueles que realmente precisavam disso. É cínico e nojento”, acrescentou.

Após serem libertadas, as ativistas, que defendem essencialmente o feminismo, afirmaram que não ficaram “indiferentes à situação das mulheres nas prisões”. “Elas são vistas como um bocado de barro que se pode moldar e nós queremos mudar isso”, afirmaram, e prometeram continuar com o projeto de defesa dos direitos humanos.

Em 2014, Nadejda Tolokonnikova e Maria Alekhina foram atacadas por um grupo de seis homens vestidos com emblemas ultranacionalistas russos, quando preparavam uma visita a uma prisão.

No mesmo ano, Nadejda Tolokonnikova e Maria Alekhina estiveram no Parlamento Europeu, onde colocaram a questão “A Rússia de Putin é o relançar da União Soviética?”. Para Nadejda “trata-se do reaparecimento perigoso de um enorme país que se está a transformar num agressor imparável”. “Vladimir Putin também planeia reconstruir a cortina de ferro, o que lhe permitiria fazer tudo o que quisesse na Rússia. A tarefa da Europa é não o deixar construir essa cortina”, afirmou.

Este ano as Pussy Riot lançaram uma nova música de protesto: “CHAIKA”, em que satirizam o Kremlin, a corrupção e o sistema de justiça russo.