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Crítica

Ted Lasso: mais comovente do que um golo aos 90’

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O futebol é um dos temas de maior destaque e um dos desportos que gera mais dinheiro em todo o mundo. Por estas razões fomos assistindo, ao longo dos anos, a inúmeros documentários, de elevada qualidade, sobre clubes de futebol, como por exemplo “Sunderland ‘Til I Die” e “All or Nothing”, ou sobre jogadores e treinadores lendários, como por exemplo “Bobby Robson: More than a Manager” ou “Ronaldo”. Contudo, não existem muitos filmes, nem séries de renome relacionados com o futebol que não sejam baseados na realidade.

Esta foi uma das principais razões para a série Ted Lasso ter sido recebida com algum ceticismo quando foi anunciada em 2020. Uma comédia futebolística não era algo, de todo, comum e não havia propriamente nenhum termo de comparação, por isso ninguém sabia bem o que esperar. No entanto, a verdade é que a série apanhou o mundo de surpresa e causou um impacto imediato tendo varrido a cerimónia dos Emmys de 2021, conquistando nada mais nada menos do que 7 prémios.

A série da Apple TV +, que já foi renovada para uma 3ª temporada que sairá em meados de 2022, conta-nos a história do AFC Richmond, um clube de futebol inglês, que se encontra em grandes dificuldades na liga inglesa. A dona do clube, Rebecca, de modo a vingar-se do seu ex-marido, decide tentar ao máximo afundar o clube. Para isto, contrata Ted Lasso, um treinador de futebol americano universitário com um otimismo e uma compaixão implacáveis, mas que pouco ou nada conhece sobre a cultura inglesa e o futebol europeu, esperando que este falhasse miseravelmente. No entanto, a personalidade calorosa de Ted e o seu compromisso para com a sua equipa começam, eventualmente, a conquistar os mais céticos.

“Aceitar um desafio é muito semelhante a montar um cavalo, não é? Se estás confortável enquanto o fazes, provavelmente estás a fazê-lo mal.” – Ted Lasso

Inevitavelmente, a estrela da série é Ted Lasso. É interpretado por Jason Sudeikis que também é um dos escritores e produtores da série. Antes desta série, Jason já era um nome bastante conhecido no mundo da comédia, uma vez que foi, durante vários anos, um dos escritores e atores do histórico programa americano Saturday Night Live. Para além de Jason Sudeikis, o elenco conta com mais algumas caras conhecidas como Hannah Waddingham (Game of Thrones e Sex Education) e Jeremy Swift (Downton Abbey). Ao longo da série ainda contamos com vários cameos de algumas figuras icónicas do futebol inglês, como Thierry Henry, Gary Lineker ou Mike Dean.

É uma história emotiva que, apesar de contar com todos os clichés de uma série de desporto (as vitórias, as derrotas, os conflitos de balneário) vai muito além disso. Um dos aspetos mais fundamentais da série é que, apesar de se focar num clube de futebol, não é necessário ter qualquer tipo de conhecimento ou adoração pelo jogo para se conseguir assistir e apreciar a série, até porque nem o próprio protagonista conhece as regras do jogo.

O facto de o foco da série ser numa equipa de futebol acaba por funcionar como uma espécie de metáfora e uma maneira para se tratarem assuntos como a importância da compaixão, do trabalho em equipa e de como o excesso de individualidade pode ser tóxico. Para além disto, um dos grandes pontos de destaque da série é a maneira leve e equilibrada como aborda questões relativas à saúde mental, com quase todo o tipo de problemas a serem abordados, como a ansiedade e os ataques de pânico, a depressão ou o stress pós-traumático.

Estes são temas extremamente pesados e que muitas vezes são desvalorizados e até ridicularizados em filmes e séries, especialmente em comédias. No entanto, em Ted Lasso, sem nunca perder a sua identidade e a sua boa disposição, estes temas são discutidos de uma maneira cativante, com a maior tranquilidade e sem criar qualquer tipo de tabu.

Recheada de referências e com um otimismo e uma positividade inigualáveis, Ted Lasso é um autêntico golo daqueles que entram mesmo no ângulo e uma lufada de ar fresco no que toca às comédias e às séries desportivas. Trata-se, definitivamente, de um must-watch para qualquer pessoa, não apenas para os fãs do desporto-rei.

Artigo da autoria de Afonso Leite